Crédito
BCE trava juros, mas a Euribor já encarece a prestação
As taxas diretoras ficaram paradas, mas a média da Euribor a 6 meses subiu 0,82 pontos num ano. É a Euribor que serve de indexante à prestação de quem tem taxa variável.
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu a 29 de outubro manter as três taxas de juro diretoras. A taxa da facilidade de depósito fica nos 2,50%, a das operações principais de refinanciamento nos 2,65% e a da facilidade de cedência de liquidez nos 2,90%. No comunicado, o BCE nota que a subida dos preços da energia traz o risco de mais inflação e de menos crescimento. Nota também que as condições de financiamento ficaram mais apertadas desde a última reunião. Para quem tem crédito à habitação a taxa variável, porém, o que entra na prestação é a Euribor, e essa tem subido nos últimos meses.
A Euribor a 6 meses subiu 0,82 pontos num ano
Segundo os dados do Banco de Portugal, a média mensal da Euribor a 6 meses foi de 2,92% em setembro de 2026, contra 2,10% em setembro de 2025. A subida começou em março, depois de um inverno com a taxa quase parada. Só de agosto para setembro, a taxa passou de 2,71% para 2,92%. São as últimas médias mensais publicadas pelo Banco de Portugal, a 2 de outubro.
Porque é que a decisão do BCE não trava a prestação
A Euribor mede o juro a que os bancos europeus emprestam dinheiro uns aos outros, e reage também ao que os mercados esperam das próximas decisões do BCE. Por isso pode subir mesmo quando as taxas diretoras ficam paradas. Nos contratos a taxa variável, a prestação acompanha o indexante na data de revisão que está no contrato. Quem revê a taxa agora passa a pagar a Euribor dos últimos meses, e não a da última revisão, há seis meses.
Quem revê agora sente a subida desde março
Num crédito indexado à Euribor a 6 meses, a taxa é normalmente revista de seis em seis meses, com a média do mês que o contrato indica. Quem fez a última revisão com a média de março, de 2,32%, passa agora para a média de setembro, de 2,92%. São mais 0,60 pontos no indexante, que se somam ao spread de cada contrato. Pelo caminho, a média passou por 2,45% em abril e 2,54% em maio, e não voltou a descer desde então. Quanto pesa na prestação depende do capital em dívida, do prazo que falta e do spread de cada contrato.
Os prazos mais longos estão mais caros
A subida chegou a todos os prazos da Euribor, mas não por igual. Em setembro, a média da taxa a 3 meses ficou nos 2,64%, a de 6 meses nos 2,92% e a de 12 meses nos 3,25%. Uma curva assim, com os prazos longos acima dos curtos, pode refletir a expetativa de juros mais altos nos próximos meses. Os contratos indexados à Euribor a 12 meses normalmente só reveem a taxa uma vez por ano, por isso sentem a subida mais tarde, mas de uma só vez.
Os números
| Indicador | Valor | Período |
|---|---|---|
| BCE, taxa de depósito | 2,50% | 29 out. 2026 |
| BCE, refinanciamento | 2,65% | 29 out. 2026 |
| BCE, cedência de liquidez | 2,90% | 29 out. 2026 |
| Euribor a 6 meses | 2,10% | set. 2025 |
| Euribor a 6 meses | 2,32% | mar. 2026 |
| Euribor a 6 meses | 2,71% | ago. 2026 |
| Euribor a 6 meses | 2,92% | set. 2026 |
| Euribor a 3 meses | 2,64% | set. 2026 |
| Euribor a 12 meses | 3,25% | set. 2026 |
Fontes
- Monetary policy decisions, 29 October 2026Banco Central Europeu (BCE), 29 de outubro de 2026
- Euribor a 6 meses, média mensal (série 13168438)Banco de Portugal, BPstat, 2 de outubro de 2026
- Euribor a 12 meses, média mensal (série 13168437)Banco de Portugal, BPstat, 2 de outubro de 2026
- Euribor a 3 meses, média mensal (série 13168436)Banco de Portugal, BPstat, 2 de outubro de 2026
Como verificámos. As taxas do BCE foram conferidas no comunicado da decisão de 29 de outubro de 2026 e as médias mensais da Euribor a 3, 6 e 12 meses nas séries do Banco de Portugal no BPstat. As subidas em pontos foram recalculadas a partir dessas médias.
