Crédito

BCE trava juros, mas a Euribor já encarece a prestação

As taxas diretoras ficaram paradas, mas a média da Euribor a 6 meses subiu 0,82 pontos num ano. É a Euribor que serve de indexante à prestação de quem tem taxa variável.

Por simula.pt2 min de leitura

Torre da sede do Banco Central Europeu em Frankfurt, junto ao rio Meno, com prédios da cidade ao fundo.
Foto: nikon89 / Pixabay

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu a 29 de outubro manter as três taxas de juro diretoras. A taxa da facilidade de depósito fica nos 2,50%, a das operações principais de refinanciamento nos 2,65% e a da facilidade de cedência de liquidez nos 2,90%. No comunicado, o BCE nota que a subida dos preços da energia traz o risco de mais inflação e de menos crescimento. Nota também que as condições de financiamento ficaram mais apertadas desde a última reunião. Para quem tem crédito à habitação a taxa variável, porém, o que entra na prestação é a Euribor, e essa tem subido nos últimos meses.

A Euribor a 6 meses subiu 0,82 pontos num ano

Segundo os dados do Banco de Portugal, a média mensal da Euribor a 6 meses foi de 2,92% em setembro de 2026, contra 2,10% em setembro de 2025. A subida começou em março, depois de um inverno com a taxa quase parada. Só de agosto para setembro, a taxa passou de 2,71% para 2,92%. São as últimas médias mensais publicadas pelo Banco de Portugal, a 2 de outubro.

Gráfico de linha: a média mensal da Euribor a 6 meses passou de 2,10% em setembro de 2025 para 2,92% em setembro de 2026, com a subida mais forte a partir de março de 2026.
Média mensal da Euribor a 6 meses, segundo o Banco de Portugal.

Porque é que a decisão do BCE não trava a prestação

A Euribor mede o juro a que os bancos europeus emprestam dinheiro uns aos outros, e reage também ao que os mercados esperam das próximas decisões do BCE. Por isso pode subir mesmo quando as taxas diretoras ficam paradas. Nos contratos a taxa variável, a prestação acompanha o indexante na data de revisão que está no contrato. Quem revê a taxa agora passa a pagar a Euribor dos últimos meses, e não a da última revisão, há seis meses.

Quem revê agora sente a subida desde março

Num crédito indexado à Euribor a 6 meses, a taxa é normalmente revista de seis em seis meses, com a média do mês que o contrato indica. Quem fez a última revisão com a média de março, de 2,32%, passa agora para a média de setembro, de 2,92%. São mais 0,60 pontos no indexante, que se somam ao spread de cada contrato. Pelo caminho, a média passou por 2,45% em abril e 2,54% em maio, e não voltou a descer desde então. Quanto pesa na prestação depende do capital em dívida, do prazo que falta e do spread de cada contrato.

Os prazos mais longos estão mais caros

A subida chegou a todos os prazos da Euribor, mas não por igual. Em setembro, a média da taxa a 3 meses ficou nos 2,64%, a de 6 meses nos 2,92% e a de 12 meses nos 3,25%. Uma curva assim, com os prazos longos acima dos curtos, pode refletir a expetativa de juros mais altos nos próximos meses. Os contratos indexados à Euribor a 12 meses normalmente só reveem a taxa uma vez por ano, por isso sentem a subida mais tarde, mas de uma só vez.

Os números

IndicadorValorPeríodo
BCE, taxa de depósito2,50%29 out. 2026
BCE, refinanciamento2,65%29 out. 2026
BCE, cedência de liquidez2,90%29 out. 2026
Euribor a 6 meses2,10%set. 2025
Euribor a 6 meses2,32%mar. 2026
Euribor a 6 meses2,71%ago. 2026
Euribor a 6 meses2,92%set. 2026
Euribor a 3 meses2,64%set. 2026
Euribor a 12 meses3,25%set. 2026

Fontes

Como verificámos. As taxas do BCE foram conferidas no comunicado da decisão de 29 de outubro de 2026 e as médias mensais da Euribor a 3, 6 e 12 meses nas séries do Banco de Portugal no BPstat. As subidas em pontos foram recalculadas a partir dessas médias.

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