Preço da prata hoje: quanto vale a sua prata

Cotação da prata por grama, por quilo e por onça troy, atualizada ao longo do dia. Indique o peso e o toque da sua peça e veja quanto vale o metal, e quanto lhe pagam mesmo por ele.

A obter a cotação da prata...
Quanto vale cada grama, por toque
Valor da prata por toque e por peso, à cotação atual
Toque 1 g 10 g 100 g 1 kg 1 onça troy
{{ linha.toque }} ‰ ({{ linha.nome }}) {{ fmt(linha.eurG, 4) }} € {{ fmt(linha.eur10g, 2) }} € {{ fmt(linha.eur100g, 2) }} € {{ fmt(linha.eurKg, 2) }} € {{ fmt(linha.eurOz, 2) }} €

Valores do metal contido, à cotação de {{ fmt(cotacaoBase, 4) }} € por grama de prata fina. A cotação internacional refere-se a prata com fineza mínima de 999 e o simulador aplica-lhe o toque da peça, o que é ligeiramente conservador nas peças de 999. Não são preços de compra nem de venda ao público.

Evolução do preço da prata

Preço de um grama de prata fina, em euros, um valor por dia útil. Máximo do período: {{ fmt(estat.max.valor / ONCA, 4) }} €/g em {{ dataPT(estat.max.data) }}. Mínimo: {{ fmt(estat.min.valor / ONCA, 4) }} €/g em {{ dataPT(estat.min.data) }}. Média: {{ fmt(estat.media / ONCA, 4) }} €/g.

Cotação da prata hoje: o preço da grama da prata e como se usa

A cotação da prata que aparece no topo desta página é o preço de um grama de prata fina, atualizado ao longo do dia a partir do mercado internacional. O valor do metal de uma peça resulta de três números apenas: o peso, o toque e essa cotação. A fórmula é sempre a mesma:

valor = peso em gramas × (toque ÷ 1000) × preço de um grama de prata fina

O toque, também chamado título, é a proporção de prata pura na liga, medida em milésimos. Uma peça marcada com 925 tem 925 gramas de prata em cada 1000 gramas de material, ou seja, 92,5%. Os restantes 7,5% são quase sempre cobre, que dá dureza a um metal que puro seria demasiado mole para talheres ou joias.

A cotação internacional é publicada por onça troy, uma unidade que só se usa em metais preciosos e que vale exatamente 31,1034768 gramas. Não confunda com a onça normal (avoirdupois), que tem 28,35 gramas. Um quilograma corresponde a 32,1507465 onças troy. Para passar de euros por onça troy a euros por grama basta dividir por 31,1034768.

Um exemplo com números reais. Um faqueiro de prata de lei que pese 1 500 gramas contém 1 500 × 0,925 = 1 387,5 gramas de prata fina. À cotação de 31 de julho de 2026, cerca de 1,62 euros por grama, isso dá perto de 2 250 euros de metal. Não é isso que uma loja lhe paga, como se explica mais abaixo, mas é o ponto de partida de qualquer avaliação séria.

Os toques legais da prata em Portugal

Em Portugal, os toques legais dos artigos com metal precioso estão fixados no artigo 14.º do Regime Jurídico da Ourivesaria e das Contrastarias, aprovado pela Lei n.º 98/2015, de 18 de agosto, e republicado pelo Decreto-Lei n.º 120/2017, de 15 de setembro. Para a prata são cinco:

ToquePrata na ligaOnde aparece
999 ‰99,9%Barras e moedas de investimento. Chama-se prata fina.
925 ‰92,5%Prata de lei, também conhecida como sterling. É o toque dominante em joalharia e prataria.
835 ‰83,5%Comum em prataria europeia e portuguesa.
830 ‰83,0%Toque de exportação, também usado na Escandinávia.
800 ‰80,0%Muito frequente em talheres alemães e italianos.

O n.º 3 do mesmo artigo é taxativo: não são admitidas tolerâncias para menos em nenhum destes toques. Uma peça vendida como 925 tem mesmo de ter, pelo menos, 925 milésimos de prata.

Há uma exceção com base legal própria. O artigo 15.º-A, aditado em 2017, permite que os artigos usados com mais de 50 anos comprovados sejam marcados, a pedido do interessado, com o toque aproximado de 833 milésimos para a prata, com tolerância de 10 milésimos para o metal limpo. É por isso que muita prataria portuguesa antiga aparece descrita como 833.

Toques como 958 (padrão Britannia britânico), 950 (primeiro título francês) ou 900 (moedas antigas) existem em peças estrangeiras, mas não são toques legais de ourivesaria em Portugal. O simulador aceita-os na lista de outros toques, porque as peças existem, mas não os apresenta como nacionais.

O que é a prata 925 e porque é a mais comum

A prata 925 é uma liga com 92,5% de prata e 7,5% de outro metal, quase sempre cobre. É conhecida como prata de lei e, em inglês, como sterling silver. A marca «925» gravada numa peça significa exatamente isto: 925 partes de prata em cada 1000.

A razão de não se usar prata pura em joias e talheres é simples: a prata pura é demasiado mole. Risca-se com a unha, deforma-se com o uso e não aguenta um garfo ou o aro de um anel. O cobre dá dureza sem alterar quase nada a cor. O padrão dos 925 milésimos vem da Inglaterra medieval e acabou por se tornar a norma mundial da joalharia, o que explica que seja também o toque mais frequente nas peças que existem em Portugal.

Perguntas habituais sobre a prata 925, respondidas de forma direta:

  • Vale menos do que a prata 999? Por grama, sim: vale exatamente 92,5% do preço da prata fina. Mas dura muito mais numa peça de uso diário.
  • Porque é que escurece? Não é a prata que oxida, é o cobre da liga que reage com compostos de enxofre do ar, dos alimentos e da pele, e forma sulfureto de prata escuro. Não é sinal de falsificação: é sinal de que há mesmo metal precioso na peça. Limpa-se com pano próprio ou pasta de limpeza suave.
  • É boa para quem tem alergias? Melhor do que ligas com níquel, mas o cobre também pode incomodar peles sensíveis. A prata 999 é mais neutra, embora mais frágil.
  • Qual é a diferença para a prata 800? A 800 tem 80% de prata, é mais dura e mais amarelada, e vale menos 13,5% por grama. É muito comum em talheres alemães e italianos antigos.
  • Uma peça marcada 925 é sempre prata? Não. A marca é do fabricante e pode ser falsa. A garantia pública é a marca da Contrastaria, que só é aposta depois de um ensaio ao metal.

As marcas da Contrastaria e o que provam

Um número gravado numa peça é uma declaração do fabricante. A garantia pública vem da marca da Contrastaria, aposta pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda depois de um ensaio ao metal. Desde 1 de janeiro de 2021 a marca da prata é uma cabeça de coelho com o toque na base. Entre 16 de novembro de 2015 e 31 de dezembro de 2020 foi uma cabeça de águia. As peças com marcas antigas continuam legalmente marcadas: uma marca antiga não invalida a peça nem lhe retira valor.

Se tiver dúvidas sobre a autenticidade das marcas, o caminho é o ensaio de verificação nas contrastarias de Lisboa e do Porto. É o único documento com valor legal sobre o toque de uma peça em Portugal.

Note ainda que o ensaio e a marcação são facultativos para artefactos de artista, peças de interesse especial e artigos usados com mais de 50 anos. A ausência de punção numa peça antiga não significa, por si só, que não seja prata.

Prata maciça ou apenas prateada: a diferença que muda tudo

A maior parte da prataria que existe nas casas portuguesas não é prata. É metal prateado, ou seja, uma liga barata coberta por uma camada de prata com poucas dezenas de micrómetros. O valor comercial dessa camada é praticamente nulo: o custo de a recuperar excede o que dela se retira.

Marcas que indicam prata maciça: 999, 925, .925, STERLING, 835, 830, 800, 833 e a marca da Contrastaria. Marcas que indicam peça prateada, sem valor de metal:

  • EP (electroplated), EPNS (prata sobre alpaca), EPBM (prata sobre metal Britannia), EPC (prata sobre cobre).
  • SILVER PLATED, PLAQUÉ, casquinha, «prata sobre metal».
  • ALPACA, ALPACCA, GERMAN SILVER, NICKEL SILVER, MAILLECHORT: apesar do nome, não têm prata nenhuma. São ligas de cobre, níquel e zinco.
  • INOX 18/10 ou 18/8: aço inoxidável. Os números são crómio e níquel, não prata.
  • Letras isoladas como A1, A, B ou C: indicam a espessura do banho, não o toque.

Cuidado especial com os talheres franceses e continentais marcados com números como 84, 90, 100 ou 120. Esse número indica os gramas de prata usados para pratear uma dúzia de peças, não o toque. Um talher marcado «90» é prateado, não é prata 900.

Para distinguir sem estragar a peça, o íman é o primeiro filtro: a prata não é atraída por ímanes. Um resultado positivo (a peça cola ao íman) elimina logo a hipótese de prata maciça, mas o contrário não prova nada, porque a alpaca e o latão também não são magnéticos. A prata é o metal com melhor condutividade térmica, por isso um cubo de gelo pousado sobre prata derrete visivelmente mais depressa. Nenhum destes testes substitui um ensaio: a densidade da prata pura é de 10,49 g/cm³ e só o ensaio químico da contrastaria, feito por potenciometria, tem valor legal.

Facas, castiçais e outras peças que pesam mais do que valem

Este é o erro de cálculo mais frequente e o mais caro. Multiplicar o peso bruto pela cotação só funciona em peças inteiramente de prata.

Uma faca de mesa tem lâmina de aço inoxidável e um cabo oco cheio de resina, gesso ou cimento. Numa faca desmontada e pesada componente a componente, com 65,90 gramas de peso bruto, a lâmina tinha 30,05 gramas, o enchimento 16,83 gramas e a casca de prata do cabo apenas 19,02 gramas. Ou seja, a prata era 28,9% do peso. A regra usada no mercado é contar 25% do peso bruto nas facas pequenas e 33% nas facas de mesa, o que confirma a medição.

Um castiçal com base carregada tem uma casca fina de prata sobre um enchimento de pez ou gesso, muitas vezes com uma haste de aço. As peças americanas costumam trazer «WEIGHTED» ou «LOADED» na base. A prata real anda entre 15% e 30% do peso bruto, mas esta estimativa tem fonte única e a incerteza é grande. Reconhece-se pelo feltro colado na base, pelo íman a colar na haste interior e pela densidade aparente muito baixa.

As molduras são quase sempre uma folha de prata sobre alma de madeira. O peso bruto não tem relação nenhuma com o peso da prata: só vale a pena pesar a folha metálica depois de separada. O simulador trata as facas e os castiçais com um intervalo, precisamente porque um valor único aqui seria enganador.

Vender prata usada: quanto lhe pagam mesmo

Quem compra prata a particulares nunca paga o valor do metal. Tem custos de ensaio, de refinação, de licenciamento e a sua própria margem. A questão é saber quanto fica de fora, e aqui as respostas que circulam na Internet estão erradas por uma larga margem.

A 31 de julho de 2026, com a cotação em cerca de 1,62 euros por grama de prata fina, dois operadores portugueses licenciados publicavam estes preços de compra ao particular:

ToquePreço de compra publicadoPercentagem do valor do metal
1000 ‰0,68 € e 1,01 €/g42% a 62%
925 ‰0,63 € e 0,71 €/g42% a 47%
835 ‰0,57 €/gcerca de 42%
800 ‰0,55 €/gcerca de 42%

Por outras palavras: prataria, talheres e joias de prata usada rendem 40% a 50% do valor do metal nos dois únicos operadores portugueses que publicam tabela. Para prata fina entregue como metal, os mesmos operadores pagavam entre 42% e 62%, uma diferença enorme entre casas que torna óbvio pedir mais do que um orçamento. É este o intervalo que o simulador usa por defeito, e não os 70% a 85% que várias páginas repetem sem fonte. Não há amostra pública maior em Portugal: dos 22 sítios consultados, só estes dois publicam preços por toque.

O contraste com o ouro explica porquê. No mesmo minuto do mesmo dia, o mesmo operador pagava cerca de 91% da cotação por ouro de 24 quilates. O custo de recolher, ensaiar e refinar uma peça é quase fixo, e um grama de prata vale cerca de setenta vezes menos do que um grama de ouro. Esse custo fixo pesa muito mais na prata.

Uma advertência importante para quem tem prata de investimento: estes valores são de operadores que compram ao peso para refinar. Uma moeda ou uma barra reconhecida vendida a uma casa europeia de metais preciosos é recomprada perto do valor do metal, e nalguns produtos até um pouco acima. Antes de aceitar 40% ou 50% por uma moeda de investimento, peça cotação a quem transaciona esse produto. Antes de vender ao peso, verifique também se a peça vale mais como objeto. Peças de autor, prataria antiga com marcas de contrastes municipais extintos, serviços completos e moedas raras podem valer múltiplos do peso em prata. Uma casa de leilões ou um numismata dão outra leitura que uma loja de compra de metais não dá.

Há também aspetos práticos que convém conhecer. Quem compra prata usada diretamente a particulares tem de ter licença de retalhista de compra e venda de artigos com metal precioso usado, prevista no artigo 41.º do Regime Jurídico da Ourivesaria e das Contrastarias. Essa licença traz obrigações: registar cada operação, identificar o vendedor com documento e número de contribuinte, e comunicar as compras à Polícia Judiciária. Peça sempre um comprovativo escrito com o peso, o toque e o valor por grama. Sobre pagamentos, o artigo 68.º do mesmo regime manda usar meio eletrónico, transferência bancária ou cheque com indicação do destinatário sempre que a transação atinja o limite fixado em lei própria para o numerário, que é hoje de 3 000 euros (artigo 63.º-E da Lei Geral Tributária).

Moedas de escudos: quais têm prata e quanto valem

Muitas casas portuguesas têm moedas de escudos guardadas. Duas notas antes dos números. Primeiro, as moedas de escudo deixaram de ter curso legal a 1 de março de 2002 e o prazo para as trocar no Banco de Portugal terminou a 31 de dezembro de 2002, ao contrário das notas, que puderam ser trocadas até 2022. Hoje uma moeda de escudo vale o metal que tem dentro, mais o eventual valor de coleção. Segundo, a maioria das comemorativas que circularam não tem prata nenhuma.

MoedaPesoToquePrata fina
1000$00 de circulação (1991, 1998 a 2001)27 g500 ‰13,50 g
1000$00 de circulação (1994 a 1997)28 g500 ‰14,00 g
1000$00 em prova numismática27 g925 ‰24,98 g
500$00 de circulação (1996 a 2001)14 g500 ‰7,00 g
100$00 e 200$00, espécime em prata26,5 g925 ‰24,51 g
50$00 comemorativa (1968 a 1972)18 g650 ‰11,70 g
20$00 de 195321 g800 ‰16,80 g
10$00 de 1932 a 194812,5 g835 ‰10,44 g
10$00 de 1954 e 195512,5 g680 ‰8,50 g
5$00 de 1932 a 19517 g650 ‰4,55 g
2$50 de 1932 a 19513,5 g650 ‰2,28 g
100$00, 200$00 e 250$00 comemorativas de circulação8,3 a 23 gsem prata0 g
1$00, 5$00, 10$00, 20$00 e 50$00 correntes (1986 a 2001)1,7 a 9,4 gsem prata0 g

Pesos e toques fixados nos decretos de emissão publicados no Diário do Governo e no Diário da República. Repare no ponto que mais confunde: a moeda de 1000$00 que circulou é de prata 500, não de prata de lei. Só a versão em prova numismática, vendida em estojo, é de 925. Nas comemorativas de 100$00 e 200$00 acontece o mesmo ao contrário: a que circulou é de cuproníquel e não tem prata, mas existe um espécime numismático em prata 925 com 26,5 gramas.

As moedas de coleção em euros emitidas pela Casa da Moeda seguem outro padrão: as versões em prova numismática são de prata 925 e as versões de acabamento normal, aquelas que se compravam ao balcão do banco, são de cuproníquel. As características de cada emissão constam da portaria respetiva, publicada no Diário da República. Em qualquer delas o metal vale bastante mais do que o valor facial: uma moeda de 10 euros com 27 gramas de prata 925 tem cerca de 40 euros de prata dentro.

Comprar prata em Portugal: o IVA muda tudo

Aqui está a diferença mais importante entre a prata e o ouro, e a que menos se explica. A prata paga IVA à taxa normal, 23% no continente. O ouro de investimento é isento.

A isenção do ouro consta do Decreto-Lei n.º 362/99, de 16 de setembro, que aprovou o regime especial do IVA aplicável ao ouro para investimento. O artigo 2.º desse regime define ouro para investimento como barras ou placas com toque igual ou superior a 995 milésimos e moedas de ouro com toque igual ou superior a 900 milésimos, cunhadas depois de 1800, com curso legal no país de origem e vendidas por um preço que não exceda em mais de 80% o valor do ouro nelas contido. O artigo 3.º isenta essas operações. A palavra prata não aparece uma única vez no diploma. Não existe, nem em Portugal nem no direito da União Europeia, um regime de prata para investimento.

Também não vale invocar o facto de uma moeda ter curso legal. A alínea d) do n.º 27 do artigo 9.º do Código do IVA isenta as operações sobre moedas que sejam meios legais de pagamento, mas exceciona expressamente «as moedas e notas que não sejam normalmente utilizadas como tal, ou que tenham interesse numismático». Uma moeda de investimento de prata tem curso legal por um valor simbólico e é comprada pelo metal, pelo que cai na exceção e é tributada.

O efeito prático é enorme, e a dispersão de preços também. A 31 de julho de 2026, com o metal de uma moeda de 1 onça a valer cerca de 50 euros, o mesmo tipo de moeda era vendido, com imposto incluído e entrega em Portugal, entre 56 e 92 euros consoante o operador. Em resumo:

  • Moeda de 1 onça: prémio de 12% a 25% nas casas que aplicam o regime da margem, 29% a 43% com IVA sobre o total numa casa competitiva, e 69% a 83% nas casas mais caras. Em lojas numismáticas o prémio passa dos 100%.
  • Barra de 1 quilo: prémio de 21% a 28% nas casas competitivas e acima de 45% nas mais caras.
  • Ida e volta: comprar e revender no mesmo dia custa entre 5% e 44% do valor, consoante o produto e o operador.

Duas notas técnicas explicam preços que parecem impossíveis. A primeira: quando um revendedor compra a um particular, pode aplicar o regime especial de tributação da margem, previsto no Decreto-Lei n.º 199/96, em que o IVA incide apenas sobre a diferença entre o preço de venda e o de compra e não é discriminado na fatura. Moedas e artefactos de prata cabem nesse regime; barras novas de refinaria, não. É por isso que existem barras com valor facial, cunhadas como moeda, que conseguem entrar no regime.

A segunda: nas vendas à distância dentro da União Europeia acima de 10 000 euros anuais, o vendedor aplica a taxa do país de destino, por força do artigo 6.º-A do Código do IVA. Num operador europeu, a mesma moeda muda de preço só por se mudar o país de entrega, com o valor líquido a ficar igual. Compare sempre preços finais para Portugal, com IVA incluído, e não preços de montra.

O IVA não é recuperável por um particular na revenda, pelo que a cotação tem de subir todo o prémio pago só para recuperar o custo de entrada. É esse o cálculo que o segundo modo deste simulador faz por si.

Impostos na venda de prata por um particular

A alienação de prata física por um particular não é tributada em IRS. O fundamento é o texto do artigo 10.º do Código do IRS, que enumera de forma taxativa os ganhos que constituem mais-valias: imóveis, partes sociais e outros valores mobiliários, propriedade intelectual, posições contratuais sobre imóveis, instrumentos financeiros derivados, warrants, certificados, créditos, afetação de bens a atividade empresarial, direitos sobre estruturas fiduciárias e criptoativos. Os bens móveis corpóreos, categoria onde cabem barras, moedas, talheres e joias, não constam de nenhuma alínea. Em matéria de incidência não há analogia possível: onde a lei não tipificou, não há imposto. O melhor argumento é a própria história do artigo: para tributar as mais-valias com criptoativos, o legislador teve de acrescentar uma alínea nova em 2023.

Isto vale para quem vende peças próprias de forma ocasional. Se a compra e venda passar a ser habitual, com intuito de lucro e continuidade, deixa de ser um ato isolado e passa a ser atividade comercial, tributada na categoria B, com as obrigações declarativas correspondentes.

Cuidado com a distinção entre prata física e prata em papel. Um ETC ou ETF que replica o preço da prata é um valor mobiliário: as mais-valias caem na categoria G e são tributadas à taxa autónoma de 28%, com declaração no anexo G ou no anexo J quando o intermediário é estrangeiro. A regra fiscal de um produto financeiro sobre prata nada tem a ver com a de uma barra guardada em casa.

Não há Imposto do Selo na compra e venda de prata. Numa herança, a prataria e as joias ficam fora da própria incidência do imposto: o artigo 1.º do Código do Imposto do Selo só sujeita à verba 1.2 os imóveis, os bens móveis sujeitos a registo, matrícula ou inscrição, as participações sociais, os valores monetários e os créditos, e o seu n.º 5 exclui expressamente os bens de uso pessoal ou doméstico. Mesmo que estivessem sujeitas, o cônjuge, os descendentes e os ascendentes estão isentos. Guarde sempre a documentação da compra: a venda não é tributada, mas a origem do dinheiro que entra na conta tem de ser justificável.

Porque é que o preço da prata subiu e caiu tanto

Quem tem prata em casa reparou certamente no que aconteceu entre 2025 e 2026. O gráfico desta página conta a história: um grama de prata fina valia cerca de 1,02 euros no início de agosto de 2025, chegou a 3,16 euros a 29 de janeiro de 2026, e a 31 de julho de 2026 estava perto de 1,62 euros. Ou seja, triplicou em seis meses e depois perdeu cerca de metade em mais seis.

Esta volatilidade é uma característica da prata, não uma anomalia. Há duas razões estruturais:

  • O mercado é pequeno. Todo o valor da prata negociada no mundo é uma fração do mercado do ouro. Um fluxo de compra que no ouro passa despercebido, na prata move o preço.
  • Metade da procura é industrial. Ao contrário do ouro, a maior parte da prata é consumida em painéis solares, eletrónica, contactos elétricos e medicina. A prata acumula portanto duas procuras que nem sempre andam no mesmo sentido: a industrial, que depende do ciclo económico, e a de investimento, que dispara em períodos de incerteza.

Para quem quer vender, a consequência prática é uma só: o valor da sua prata muda todas as semanas e uma avaliação de há seis meses não serve para nada hoje. Para quem quer comprar, é a lembrança de que a prata não é um substituto do depósito a prazo.

De onde vem a cotação que este simulador usa

A prata negoceia-se em dólares por onça troy num mercado contínuo, à volta do relógio. O simulador obtém o preço spot através do servidor do simula.pt, ou seja, o seu navegador não contacta o fornecedor da cotação, e converte-o em euros pela taxa de referência do euro publicada pelo Banco Central Europeu. A cotação é atualizada ao longo do dia e a hora exata aparece no painel no topo desta página.

Convém distinguir três coisas que muita gente confunde:

  • Preço spot: o preço de mercado para entrega imediata, que muda ao segundo. É o que este simulador usa.
  • LBMA Silver Price: o preço de referência apurado uma vez por dia útil, num leilão eletrónico às 12h00 de Londres administrado pela ICE Benchmark Administration. É o valor que a indústria usa para liquidar contratos. É propriedade intelectual da London Bullion Market Association e a sua utilização exige licença, pelo que o simula.pt não o publica.
  • Futuros da COMEX: contratos com entrega numa data futura, negociados em Nova Iorque. O preço de um futuro está próximo do spot, mas não é igual, e é o que aparece em muitos sites financeiros.

É por causa desta variedade, e das diferentes horas de captura, que dois sites mostram preços diferentes no mesmo dia. Diferenças de 1% a 2% são normais; diferenças acima disso costumam significar que uma das páginas está desatualizada ou que inclui uma margem comercial. Verifique sempre a data e a hora ao lado do número.

Uma última precisão técnica. No mercado grossista, a prata é cotada por onça troy de material com fineza mínima de 999 milésimos, ao contrário do ouro, que é cotado por onça de metal fino. O simulador trata a cotação como preço de prata pura e aplica-lhe o toque da peça. Nas peças de 999 isso subestima o valor em 0,1%, uma diferença desprezável em qualquer transação real, mas que fica registada aqui por rigor.

Erros comuns ao avaliar prata

  • Multiplicar o peso bruto de facas ou castiçais pela cotação. Só uma parte do peso é prata. O erro chega facilmente ao triplo.
  • Tomar peças prateadas por prata. EPNS, alpaca e inox não têm valor de metal, por mais que brilhem.
  • Usar a onça normal de 28,35 gramas. A unidade dos metais preciosos é a onça troy, com 31,1034768 gramas. A diferença é de 9,7%.
  • Contar com 70% a 85% do valor do metal na venda. Os preços realmente publicados por operadores portugueses ficam entre 40% e 50% para prata usada.
  • Assumir que a moeda de 1000$00 é prata de lei. A que circulou é prata 500. Só a versão proof é 925.
  • Esquecer o IVA ao comparar preços de compra. Um preço sem IVA e outro com IVA diferem em 23%.
  • Pesar joias com as pedras. As pedras não são prata e nenhum comprador as paga ao peso do metal.
  • Usar uma balança de cozinha para peças pequenas. Abaixo de 10 gramas, uma balança de 1 grama de resolução erra mais de 10%.

Simuladores relacionados

Perguntas frequentes

Quanto vale um grama de prata hoje em Portugal?

O valor exato aparece no painel no topo desta página e muda ao longo do dia. A referência é o preço internacional da prata em dólares por onça troy, convertido em euros pela taxa do Banco Central Europeu e dividido por 31,1034768 gramas. Para saber quanto vale a sua peça, multiplique esse valor pelo peso e pelo toque: uma peça de 100 gramas em prata 925 contém 92,5 gramas de prata fina.

Quanto vale a prata 925 por grama?

A prata 925 vale 92,5% do preço da prata fina, porque 92,5% da liga é prata. A tabela de referência desta página mostra o valor de um grama, de dez gramas, de cem gramas e de um quilo em cada toque, sempre à cotação do momento. Esse é o valor do metal, não o preço que uma loja paga.

Quanto vale 1 quilo de prata? E uma onça troy?

Um quilo de prata fina vale mil vezes o preço de um grama. Uma onça troy tem 31,1034768 gramas, pelo que um quilo corresponde a 32,1507465 onças troy. O painel no topo da página mostra os três valores em simultâneo, em euros e em dólares.

Quanto me pagam realmente por prata usada?

Entre 40% e 50% do valor do metal, no caso de prataria, talheres e joias entregues ao peso. A 31 de julho de 2026, dois operadores portugueses licenciados publicavam preços de compra de 0,63 e 0,71 euros por grama de prata 925, com a cotação em cerca de 1,62 euros por grama de prata fina, ou seja, 42% a 47%. Para prata fina entregue como metal os valores observados foram de 42% a 62%. Se tiver uma moeda ou uma barra de investimento, peça antes cotação a uma casa de metais preciosos: essas recompram perto do valor do metal.

Que toques de prata são legais em Portugal?

São cinco: 999, 925, 835, 830 e 800 milésimos, fixados no artigo 14.º do Regime Jurídico da Ourivesaria e das Contrastarias. A lei não admite tolerâncias para menos. Há uma exceção prevista no artigo 15.º-A para artigos usados com mais de 50 anos comprovados, que podem ser marcados com o toque aproximado de 833 milésimos, com tolerância de 10 milésimos.

O que significa a cabeça de coelho marcada na minha peça?

É a marca da Contrastaria portuguesa para a prata, em vigor desde 1 de janeiro de 2021, com o toque indicado na base. Entre 16 de novembro de 2015 e 31 de dezembro de 2020 a marca era uma cabeça de águia. As peças com marcas anteriores continuam legalmente marcadas. A marca da Contrastaria é aposta depois de um ensaio ao metal e é a única garantia pública do toque.

Como sei se a minha peça é prata ou apenas prateada?

Procure as marcas. 999, 925, STERLING, 835, 830 e 800 indicam prata maciça. EP, EPNS, EPBM, SILVER PLATED, PLAQUÉ, ALPACA, GERMAN SILVER e INOX indicam peça prateada ou sem prata nenhuma. O íman ajuda como primeiro filtro, porque a prata não é magnética, mas não chega para confirmar. Em caso de dúvida, o ensaio de verificação numa contrastaria é o único método com valor legal.

A prata paga IVA em Portugal?

Sim, à taxa normal de 23% no continente. Ao contrário do ouro de investimento, que está isento pelo regime especial aprovado pelo Decreto-Lei n.º 362/99, não existe qualquer regime de isenção para a prata, nem em Portugal nem no direito da União Europeia. As moedas de prata de investimento também não beneficiam da isenção das moedas com curso legal, porque o artigo 9.º, n.º 27, alínea d), do Código do IVA exceciona as moedas que não são normalmente usadas como meio de pagamento.

Pago IRS quando vendo a minha prata?

Não. A alienação de bens móveis corpóreos por um particular não consta de nenhuma alínea do artigo 10.º do Código do IRS, que enumera de forma taxativa os ganhos tributados como mais-valias. Se a atividade passar a ser habitual e com intuito de lucro, deixa de ser um ato isolado e passa a ser tributada como atividade comercial na categoria B. Já as mais-valias de ETC e ETF de prata são tributadas a 28%, porque são valores mobiliários e não metal físico.

Quanto vale uma moeda de 1000 escudos de prata?

A moeda de 1000$00 que circulou é de prata 500, com 27 gramas nas emissões de 1991 e de 1998 a 2001 e 28 gramas nas de 1994 a 1997, o que dá 13,5 a 14 gramas de prata fina. A versão em prova numismática é de prata 925 e contém cerca de 25 gramas de prata fina. As moedas de escudo perderam curso legal a 1 de março de 2002 e o prazo de troca no Banco de Portugal terminou a 31 de dezembro de 2002, pelo que hoje valem o metal mais o eventual valor de coleção.

Porque é que uma moeda de 1 onça custa muito mais do que a prata que tem dentro?

Porque ao valor do metal se somam a cunhagem, a distribuição, a margem do vendedor e o IVA de 23%. A 31 de julho de 2026, com cerca de 50 euros de metal numa moeda de 1 onça, os preços finais para Portugal iam de 56 a 92 euros consoante o operador, ou seja, prémios entre 12% e 83%. Esse prémio não é recuperado na revenda, pelo que a cotação tem de subir todo esse valor só para recuperar o custo de entrada. Compare sempre preços finais com IVA incluído.

Porque é que sites diferentes mostram preços diferentes da prata no mesmo dia?

Porque mostram coisas diferentes. Uns publicam o preço spot ao segundo, outros o preço de referência diário fixado em Londres, outros o preço de um contrato de futuros, e outros ainda preços de referência do setor da ourivesaria que incorporam custos de mercado físico. Somam-se a hora de captura e a taxa de câmbio usada na conversão para euros. Diferenças de 1% a 2% são normais. Acima disso, confirme a data e a hora indicadas na página.

Fontes e recursos oficiais