Acima de quantos portugueses está o seu rendimento?
Descubra o seu percentil de rendimento ou de património em Portugal. O simulador coloca o valor que indica sobre a distribuição oficial do INE, do Eurostat e do Banco de Portugal e diz-lhe, em percentagem, acima de quantas pessoas se encontra.
O que é o percentil de rendimento
O percentil de rendimento indica a posição relativa de uma pessoa ou de uma família na escala de rendimentos do país. Quando se diz que alguém está no percentil 80, isso significa que tem um rendimento superior ao de 80% da população e inferior ao dos restantes 20%. É uma forma simples de responder a uma pergunta que quase todos já fizeram: afinal, ganho muito ou pouco para a realidade portuguesa?
Ao contrário da média, que pode ser puxada para cima por um pequeno número de rendimentos muito elevados, o percentil descreve a distribuição tal como ela é. Por isso, é o indicador preferido pelos institutos de estatística para retratar a desigualdade e o nível de vida. Este simulador coloca o seu rendimento, ou o seu património, sobre a distribuição oficial portuguesa e diz-lhe, em percentagem, acima de quantos portugueses se encontra.
Como o simulador calcula a sua posição
O cálculo assenta na distribuição real do rendimento das famílias em Portugal, publicada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Eurostat. O ponto de partida é o rendimento monetário líquido por adulto equivalente, o indicador que serve de base a toda a análise europeia da pobreza e da desigualdade. O simulador situa o valor que indica entre os limiares oficiais de cada decil e de cada percentil e devolve a sua posição exata.
Para que a comparação seja justa entre agregados de dimensão diferente, o rendimento total é dividido pelo número de adultos equivalentes do agregado, segundo a escala de equivalência da OCDE modificada. Esta escala atribui o peso 1 ao primeiro adulto, 0,5 a cada adulto adicional e 0,3 a cada criança com menos de 14 anos. Assim, um casal não precisa do dobro do rendimento de uma pessoa sozinha para ter o mesmo nível de vida, porque partilha casa, energia e muitas outras despesas.
Um exemplo ajuda a fixar a ideia. Uma pessoa que vive sozinha conta como 1 adulto equivalente, pelo que o seu rendimento equivalente é igual ao seu rendimento. Já um casal com dois filhos pequenos conta como 1 + 0,5 + 0,3 + 0,3 = 2,1 adultos equivalentes. Se esse agregado recebe 2 940 euros líquidos por mês, o rendimento equivalente é de 1 400 euros por mês, o valor que entra na comparação com os restantes portugueses.
A distribuição do rendimento em Portugal
Os números oficiais mais recentes referem-se aos rendimentos de 2024 e foram divulgados pelo INE no final de 2025. Ajudam a perceber a escala em que cada um se situa.
- O rendimento líquido mediano por adulto equivalente foi de 14 465 euros por ano, cerca de 1 205 euros por mês. Metade dos portugueses fica abaixo deste valor e metade acima.
- O rendimento médio foi de 17 019 euros por ano, mais alto do que a mediana porque é influenciado pelos rendimentos mais elevados.
- O limiar de risco de pobreza situou-se em 8 679 euros por ano, ou seja, 723 euros por mês. Quem fica abaixo deste valor está em risco de pobreza, segundo a definição europeia, que o fixa em 60% da mediana.
- Para entrar nos 10% com maior rendimento foi preciso ultrapassar 29 122 euros por ano de rendimento equivalente, cerca de 2 427 euros por mês.
- Os 1% com maior rendimento começam acima de 59 365 euros por ano, perto de 4 947 euros por mês por adulto equivalente.
A desigualdade, medida pelo coeficiente de Gini, foi de 30,9% em 2024, um valor que desceu face ao ano anterior e próximo da média da União Europeia. O rácio S80/S20, que compara o rendimento dos 20% mais ricos com o dos 20% mais pobres, foi de 4,9.
Rendimento individual ou rendimento do agregado
Há duas formas legítimas de olhar para a questão e convém não as confundir. A primeira compara o rendimento da família, ajustado pela sua composição, com o de todas as famílias do país. É a abordagem oficial do INE e do Eurostat e a que melhor reflete o nível de vida, porque tem em conta que o rendimento é partilhado dentro de casa. É esta a base do simulador.
A segunda olha apenas para o rendimento de cada pessoa, comparado com o dos outros trabalhadores. É uma pergunta diferente, que exige a distribuição dos salários e não a do rendimento das famílias, por isso este simulador não a calcula. Convém ter presente esta distinção: mesmo que viva sozinho e indique apenas o seu rendimento, com 1 adulto e nenhuma criança, a comparação continua a ser feita com a distribuição do rendimento de toda a população, e não com os salários dos trabalhadores. Por isso, alguém com um salário modesto, mas que vive num agregado com vários rendimentos, pode aparecer acima da média; o contrário também acontece.
O percentil de património
O rendimento mede aquilo que entra todos os meses; o património mede aquilo que já foi acumulado. São dimensões diferentes e a desigualdade de património é sempre maior do que a de rendimento, porque a riqueza se acumula ao longo da vida e passa de geração em geração. O simulador permite também situar a riqueza líquida do seu agregado na distribuição portuguesa.
A riqueza líquida é o valor de tudo o que se possui menos as dívidas. Inclui a casa de morada de família e outros imóveis, os depósitos, as poupanças e os investimentos, e ainda outros bens de valor, depois de subtraídos os créditos por pagar, como o crédito à habitação. Os dados vêm do Inquérito à Situação Financeira das Famílias do Banco de Portugal, cuja edição de 2024 foi recolhida entre março e junho desse ano.
Segundo esse inquérito, a riqueza líquida mediana das famílias portuguesas foi de 151,8 mil euros e a média de 298,4 mil euros. A diferença entre os dois valores mostra bem a concentração: os 10% das famílias com maior riqueza detêm perto de metade de toda a riqueza do país, uma quota de 49,6%. A casa de morada de família é o principal ativo da maioria dos agregados, o que explica por que motivo a valorização do imobiliário fez subir a riqueza das famílias nos últimos anos.
Ao contrário do rendimento, a distribuição da riqueza não é publicada percentil a percentil. Por isso, o percentil de património é uma estimativa fundamentada, construída a partir dos valores oficiais conhecidos: a mediana global, a mediana dos 20% com menor riqueza, a mediana dos 10% com maior riqueza e a quota detida pelo topo. O modelo resultante é coerente com a média oficial, que cai por volta do percentil 67, exatamente onde se espera a média de uma distribuição tão concentrada.
Como interpretar o resultado
O percentil é uma fotografia da sua posição num dado momento e deve ser lido com bom senso. Há três pontos a ter em conta.
- O resultado depende do conceito escolhido. O rendimento é medido por adulto equivalente e o património por agregado familiar, bases diferentes, por isso os dois percentis não são diretamente comparáveis entre si.
- Os dados referem-se ao país como um todo. O custo de vida varia muito entre regiões, pelo que o mesmo rendimento garante níveis de vida distintos em Lisboa e numa vila do interior.
- A posição não é um juízo de valor. Serve para dar contexto, para informar decisões e para desfazer ideias erradas sobre o que é um rendimento alto ou baixo em Portugal.
Para aprofundar a sua situação financeira, pode usar o simulador de salário líquido para passar do bruto ao líquido, o simulador de IRS para estimar o imposto anual, o simulador da Segurança Social para os descontos e o simulador de inflação para perceber a evolução do poder de compra.
Perguntas frequentes
O que significa estar no percentil 70?
Estar no percentil 70 significa ter um rendimento superior ao de 70% da população e inferior ao dos restantes 30%. Quanto mais alto o percentil, mais acima da maioria está o seu rendimento. O percentil 50 corresponde à mediana, o ponto que divide a população ao meio.
Que rendimento devo indicar, o bruto ou o líquido?
Deve indicar o rendimento líquido, ou seja, o valor que recebe depois dos descontos para o IRS e para a Segurança Social. A distribuição oficial usada pelo simulador baseia-se no rendimento monetário líquido, por isso a comparação só é correta com valores líquidos.
Porque tenho de indicar a composição do agregado?
Porque o nível de vida depende do número de pessoas que partilham o rendimento. O simulador divide o rendimento total pelo número de adultos equivalentes do agregado, segundo a escala da OCDE modificada, para que a comparação seja justa entre uma pessoa que vive sozinha e uma família numerosa.
O simulador usa dados de que ano?
Usa os dados mais recentes disponíveis. Para o rendimento, a distribuição refere-se aos rendimentos de 2024, divulgada pelo INE e pelo Eurostat no final de 2025. Para o património, usa o Inquérito à Situação Financeira das Famílias de 2024 do Banco de Portugal.
O resultado é exato?
O resultado do rendimento é uma estimativa rigorosa, construída a partir dos limiares oficiais de cada decil e percentil. O do património é uma estimativa fundamentada, porque a distribuição detalhada da riqueza não é publicada percentil a percentil. Ambos devem ser lidos como uma ordem de grandeza fiável, não como um número ao cêntimo.
Este simulador compara o meu salário com o dos outros trabalhadores?
Não diretamente. O simulador compara o rendimento líquido do seu agregado, por adulto equivalente, com a distribuição do rendimento de toda a população portuguesa. A posição do seu salário entre os salários dos trabalhadores é uma pergunta diferente, que exige a distribuição dos salários, e essa não é publicada com o detalhe necessário para um cálculo fiável, por isso não entra aqui.
A desigualdade de património é maior do que a de rendimento?
Sim, e de forma clara. O património acumula-se ao longo da vida e transmite-se entre gerações, pelo que está muito mais concentrado do que o rendimento. Em Portugal, os 10% das famílias com maior riqueza detêm perto de metade de todo o património, enquanto a fatia equivalente no rendimento é bastante menor.
Os meus dados ficam guardados?
Não. Todos os cálculos correm no seu navegador e nada do que escreve é enviado ou guardado. O simulador não exige registo nem conserva os valores depois de fechar a página.
Este simulador serve para comparar com outro país?
Não. A distribuição usada é a portuguesa, por isso o resultado só faz sentido para quem quer comparar o seu rendimento ou património com o da população residente em Portugal.
Fontes e recursos oficiais
- INE, Rendimento e Condições de Vida (ICOR), rendimentos de 2024
- Eurostat, distribuição do rendimento por quantis (ilc_di01)
- Banco de Portugal, Inquérito à Situação Financeira das Famílias 2024
- PORDATA, base de dados de Portugal contemporâneo
- World Inequality Database, Portugal
- Autoridade Tributária, Estatísticas do IRS