Calculadora de EBITDA, EBIT e Resultado Líquido

Escreva as rubricas da sua demonstração de resultados e veja, passo a passo, o EBITDA, o EBIT, o resultado antes de impostos e o resultado líquido, com as margens de cada nível e a leitura do que os números querem dizer. Também funciona ao contrário: se já tem o resultado líquido, o simulador reconstrói o EBITDA.

Como quer calcular
Período
Setor de atividade (opcional)
Análise adicional: EBITDA ajustado, dívida e avaliação
EBITDA {{ porPeriodo }}
{{ euros(r.ebitda) }}
margem EBITDA de {{ pct(r.margens.ebitda) }} do volume de negócios
resultado antes de depreciações, juros e impostos
EBIT (resultado operacional)
{{ euros(r.ebit) }}
margem operacional de {{ pct(r.margens.ebit) }}
depois das depreciações e amortizações
Resultado antes de impostos
{{ euros(r.ebt) }}
EBT, {{ pct(r.margens.ebt) }} do volume de negócios
EBT, depois dos juros
Resultado líquido
{{ euros(r.resultadoLiquido) }}
margem líquida de {{ pct(r.margens.liquida) }}
{{ r.resultadoLiquido >= 0 ? 'lucro do período' : 'prejuízo do período' }}
EBITDA ajustado: {{ euros(r.ebitdaAjustado) }}. É este o valor usado nos rácios de dívida e na avaliação abaixo.

{{ etiquetaTom(l.tipo) }} {{ l.texto }}

Demonstração de resultados resumida ({{ porPeriodo }})
RubricaValor (€)% das vendas
Resultado antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos (EBITDA){{ euros(r.ebitda) }}{{ pct(r.margens.ebitda) }}
Gastos de depreciação e de amortização{{ euros(-r.depreciacoes) }}{{ pctDe(-r.depreciacoes) }}
Imparidade de investimentos depreciáveis{{ euros(-r.imparidadeDepreciaveis) }}{{ pctDe(-r.imparidadeDepreciaveis) }}
Resultado operacional (antes de gastos de financiamento e impostos){{ euros(r.ebit) }}{{ pct(r.margens.ebit) }}
Juros e rendimentos similares obtidos{{ euros(r.jurosObtidos) }}{{ pctDe(r.jurosObtidos) }}
Juros e gastos similares suportados{{ euros(-r.jurosSuportados) }}{{ pctDe(-r.jurosSuportados) }}
Resultado antes de impostos (EBT){{ euros(r.ebt) }}{{ pct(r.margens.ebt) }}
Imposto sobre o rendimento do período{{ euros(-r.imposto) }}{{ pctDe(-r.imposto) }}
Resultado líquido do período{{ euros(r.resultadoLiquido) }}{{ pct(r.margens.liquida) }}

Rácios

Comparação com o setor

Setor: {{ r.setor.nome }}
Margem EBITDA do setor em {{ r.setor.ano }}: {{ pct(r.setor.margem) }}
A sua margem: {{ pct(r.setor.margemComparada) }} ({{ r.setor.diferenca >= 0 ? '+' : '' }}{{ pctPP(r.setor.diferenca) }})
A referência é o indicador «Margem EBITDA em percentagem dos rendimentos» da Central de Balanços do Banco de Portugal, para o conjunto das sociedades não financeiras do setor.

Avaliação indicativa por múltiplo

Valor da empresa: {{ euros(r.ebitdaAjustado !== null ? r.ebitdaAjustado : r.ebitda) }} de EBITDA multiplicado por {{ mult(r.multiplo) }} = {{ euros(r.valorEmpresa) }}
Para uma estimativa com três métodos e múltiplos por setor, use o simulador de avaliação de empresas.

Estimativa do IRC de 2026

Base considerada: {{ euros(r.estimativaImposto.lucroTributavel) }} de resultado antes de impostos
Coleta: {{ euros(r.estimativaImposto.coletaBase) }}
Total estimado: {{ euros(r.estimativaImposto.total) }}, uma taxa efetiva de {{ pct(r.estimativaImposto.taxaEfetiva) }}

Sem um resultado antes de impostos positivo, não há IRC a estimar. Note que as tributações autónomas continuam a ser devidas mesmo com prejuízo fiscal.

Os valores devem ser sem IVA e referir-se ao mesmo período. O EBITDA e as margens seguem a estrutura da demonstração de resultados por naturezas do SNC, fixada pela Portaria n.º 220/2015, de 24 de julho. O imposto estimado assume que o lucro tributável iguala o resultado antes de impostos, o que raramente acontece na prática: confirme o valor com a sua contabilidade e com a declaração Modelo 22.

O que é o EBITDA

EBITDA é a sigla inglesa de earnings before interest, taxes, depreciation and amortization: o resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações. Mede o que a atividade gera por si só, antes de entrarem em cena três fatores que nada têm que ver com a qualidade da operação: a forma como a empresa se financia (os juros), a carga fiscal (o imposto sobre o rendimento) e a política contabilística de desgaste dos ativos (as depreciações e amortizações).

É por isso que o EBITDA se tornou a medida preferida para comparar empresas. Duas empresas do mesmo setor podem ter resultados líquidos muito diferentes só porque uma comprou as máquinas a crédito e a outra com capital próprio, ou porque uma deprecia as máquinas em quatro anos e a outra em oito. O EBITDA neutraliza essas diferenças e mostra o desempenho da atividade em si.

O EBITDA está na demonstração de resultados portuguesa

Ao contrário do que se lê com frequência, em Portugal o EBITDA não é um cálculo improvisado por analistas. Está na lei. A Portaria n.º 220/2015, de 24 de julho, que fixa os modelos das demonstrações financeiras do Sistema de Normalização Contabilística, inclui na demonstração de resultados por naturezas uma linha com o nome «Resultado antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos». É a linha que corresponde ao EBITDA, escrita por extenso e em português, com uma ressalva que se explica já a seguir.

A portaria tem sete modelos de demonstração de resultados e essa linha existe nos quatro que são por naturezas: o geral, o reduzido para pequenas entidades, o das microentidades e o das entidades do setor não lucrativo. Só não aparece nos três modelos por funções, onde as depreciações estão diluídas pelas várias funções (custo das vendas, distribuição, administração, investigação e desenvolvimento) e, por isso, não é possível isolar o EBITDA sem informação adicional.

Onde ficam os quatro resultados na demonstração por naturezas
Linha do SNCSigla
Resultado antes de depreciações, gastos de financiamento e impostosEBITDA
Resultado operacional (antes de gastos de financiamento e impostos)EBIT
Resultado antes de impostosEBT
Resultado líquido do períodoLucro ou prejuízo

O Banco de Portugal usa as mesmas siglas nos Estudos da Central de Balanços, onde define o EBITDA como o resultado das atividades de exploração e financeiras sem os gastos de depreciação e amortização, os gastos de financiamento e os impostos sobre o rendimento. Ou seja, na definição do Banco de Portugal o indicador inclui os juros obtidos mas não os suportados. Já a sigla «RAI», que aparece em muitos manuais, não consta dos modelos oficiais das demonstrações financeiras: a designação legal é «resultado antes de impostos» e a sigla que o Banco de Portugal usa é EBT.

É aqui que entra a ressalva, e vale a pena retê-la. O subtotal do SNC não é rigorosamente o EBITDA dos manuais. O EBITDA de manual retira ao resultado apenas as depreciações e amortizações, ao passo que a linha portuguesa fica abaixo das imparidades de inventários, das imparidades de dívidas a receber, das provisões e das variações de justo valor, e acima da imparidade de investimentos depreciáveis ou amortizáveis. Na prática, uma perda por imparidade em inventários reduz o subtotal do SNC, mas não reduz um EBITDA calculado à maneira internacional. Este simulador segue a estrutura do SNC, que é a das contas portuguesas, e permite corrigir esses efeitos no campo de ajustes não recorrentes.

Como se calcula o EBITDA: as duas fórmulas

Há dois caminhos, e ambos chegam ao mesmo número. Este simulador faz os dois.

De cima para baixo, a partir das rubricas da demonstração de resultados. Somam-se os rendimentos operacionais (vendas e serviços prestados, subsídios à exploração, outros rendimentos) e subtraem-se os gastos operacionais: o custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas, os fornecimentos e serviços externos, os gastos com o pessoal, as imparidades e provisões e os outros gastos. O que sobra é o EBITDA.

De baixo para cima, a partir do resultado líquido. É a fórmula que se aplica quando só se dispõe das contas fechadas: EBITDA igual a resultado líquido, mais o imposto sobre o rendimento, mais os juros suportados, menos os juros obtidos, mais as depreciações e amortizações. Cada parcela que se acrescenta é um gasto que o EBITDA, por definição, não conta; os juros obtidos, esses, são um rendimento e por isso retiram-se.

Exemplo com números redondos
RubricaValor
Vendas e serviços prestados1 000 000 €
Outros rendimentos20 000 €
Gastos operacionais (CMVMC, FSE, pessoal e outros)870 000 €
EBITDA150 000 €
Depreciações e amortizações60 000 €
EBIT90 000 €
Gastos financeiros líquidos (21 000 € de juros suportados menos 1 000 € obtidos)20 000 €
Resultado antes de impostos70 000 €
Imposto sobre o rendimento15 000 €
Resultado líquido55 000 €

Pelo caminho inverso: 55 000 mais 15 000 de imposto dá 70 000; mais 20 000 de gastos financeiros líquidos dá 90 000; mais 60 000 de depreciações dá 150 000 de EBITDA. O mesmo número.

EBITDA, EBIT, EBT e resultado líquido: as diferenças

Os quatro resultados são degraus da mesma escada e cada degrau responde a uma pergunta diferente.

  • EBITDA: a atividade é rentável ao nível da operação? Olha apenas para o negócio, sem o peso do investimento passado nem da dívida.
  • EBIT: a atividade gera dinheiro depois de contar com o desgaste dos ativos? É o resultado operacional. Se o EBIT for positivo e o EBITDA muito maior, a empresa tem investimento pesado a consumir a margem.
  • EBT: sobra alguma coisa depois de pagar os juros? Isola o efeito da estrutura de financiamento. Uma empresa com bom EBIT e mau EBT tem um problema de dívida, não de negócio.
  • Resultado líquido: quanto sobrou para os sócios? É o lucro do período e a base da distribuição de dividendos.

Margem EBITDA: como se calcula e o que é uma boa margem

A margem EBITDA é o EBITDA a dividir pelo volume de negócios e exprime-se em percentagem. Diz quantos cêntimos de cada euro faturado sobram depois de pagar todos os gastos operacionais. No exemplo acima, 150 000 sobre 1 000 000 dá uma margem EBITDA de 15 por cento.

Não existe uma margem boa universal, e desconfie de quem disser o contrário. A margem depende sobretudo do modelo de negócio. Um retalhista alimentar trabalha com margens EBITDA de um dígito porque compra e revende com pouca transformação, mas tem uma rotação de inventários elevada. Uma empresa de software pode passar dos 30 por cento porque o custo de servir mais um cliente é quase nulo. Uma empresa de infraestruturas tem margens EBITDA altíssimas, mas depreciações enormes a seguir, o que faz o EBIT cair para valores modestos. A única comparação com sentido é com empresas do mesmo setor e de dimensão semelhante.

Como regra de leitura rápida: abaixo de 5 por cento a folga é estreita e qualquer choque de custos passa a prejuízo; entre 5 e 10 por cento é o território normal do comércio e da distribuição; entre 10 e 20 por cento é confortável na generalidade dos setores; acima de 20 por cento é elevado e costuma indicar pouco custo variável ou muito investimento em ativos. A margem operacional, calculada com o EBIT, e a margem líquida, calculada com o resultado líquido, completam o retrato.

Margem EBITDA por setor em Portugal

A referência portuguesa mais completa é a Central de Balanços do Banco de Portugal, que reúne as contas de todas as sociedades não financeiras a partir da Informação Empresarial Simplificada. O indicador publicado chama-se «Margem EBITDA em percentagem dos rendimentos» e os valores mais recentes dizem respeito a 2024. Nessa definição o denominador é o total dos rendimentos e o numerador inclui os juros obtidos. No conjunto das sociedades não financeiras portuguesas, essa margem foi de 12,55 por cento.

Margem EBITDA em percentagem dos rendimentos, Portugal, 2024
SetorMargem EBITDA
Todas as sociedades não financeiras12,55%
Eletricidade e água26,17%
Outros serviços19,23%
Saúde privada19,11%
Agricultura e pescas18,76%
Informação e comunicação17,57%
Alojamento e restauração16,18%
Indústria das bebidas15,36%
Madeira, cortiça e papel14,68%
Educação privada12,18%
Construção12,16%
Indústrias transformadoras10,36%
Setor farmacêutico9,65%
Transportes e armazenagem8,95%
Têxteis e vestuário8,66%
Metalomecânica8,66%
Indústrias alimentares8,46%
Comércio6,07%
Setor automóvel5,27%
Calçado4,68%

Repare na amplitude: o comércio fica nos 6 por cento e a eletricidade nos 26. Comparar a sua margem com a média nacional diz pouco; comparar com o seu setor diz muito mais. Por dimensão, as microempresas apresentaram a margem mais alta, 15,43 por cento, contra 11,40 por cento nas pequenas, 12,16 por cento nas médias e 12,15 por cento nas grandes.

Uma nota de rigor sobre estes números: o Banco de Portugal calcula a margem sobre o total dos rendimentos, e não sobre o volume de negócios. Como o denominador é mais abrangente, a percentagem resulta ligeiramente mais baixa do que a margem sobre as vendas. É por isso que o simulador, quando compara com o setor, calcula a sua margem exatamente nessa base. Vale ainda a pena reter outro número da mesma fonte: em 2024, 31,94 por cento das empresas portuguesas tiveram EBITDA negativo. Não é uma situação rara.

Para que serve o EBITDA

O EBITDA é útil para três finalidades concretas: comparar empresas com estruturas de capital diferentes, avaliar negócios por múltiplos e medir a capacidade de suportar a dívida. Bancos, investidores e compradores de empresas usam-no todos os dias por essas razões, e é também o indicador que o Banco de Portugal publica para caracterizar a rendibilidade das empresas portuguesas.

O que o EBITDA não mostra

O EBITDA ignora o investimento necessário para manter a atividade: as máquinas gastam-se e terão de ser substituídas, e é isso que as depreciações representam. Ignora as necessidades de fundo de maneio, ou seja, o dinheiro preso em inventários e em créditos sobre clientes, que numa empresa em crescimento pode consumir toda a margem. E ignora o reembolso de capital dos empréstimos, que sai de caixa, mas não passa pela demonstração de resultados. Uma empresa pode apresentar um EBITDA robusto e ainda assim não ter dinheiro para pagar salários no fim do mês.

Warren Buffett resumiu a desconfiança numa frase que ficou célebre, na carta de 2000 aos acionistas da Berkshire Hathaway: «As referências ao EBITDA fazem-nos estremecer. Será que a gestão acha que a fada dos dentes paga o investimento em ativos fixos?» O aviso é sério: o EBITDA é um bom ponto de partida e um mau ponto de chegada. Use-o ao lado do EBIT, do resultado líquido e da tesouraria, nunca sozinho. É por isso que este simulador calcula os quatro níveis de resultado e não apenas o primeiro.

EBITDA ajustado, ou normalizado

O EBITDA ajustado é o EBITDA corrigido de itens que não se repetem ou que não pertencem à atividade normal. Os ajustes típicos numa empresa portuguesa são a indemnização paga numa saída pontual, os custos de uma mudança de instalações, o ganho com a venda de um imóvel, os gastos pessoais do dono lançados na empresa e a diferença entre o salário que o dono retira e o custo de contratar um gestor a preço de mercado.

O objetivo é chegar ao resultado recorrente, ou seja, ao que a empresa gera todos os anos em circunstâncias normais. É este o valor que um comprador usa para calcular quanto vale o negócio e que um banco usa para medir a capacidade de pagamento. No simulador, use o campo de ajustes não recorrentes: os valores positivos somam-se ao EBITDA e os negativos subtraem-se.

O EBITDA ajustado é aquilo a que os reguladores chamam um indicador alternativo de desempenho: não tem definição normalizada e cada empresa pode calculá-lo à sua maneira. A Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados publicou orientações relativas aos indicadores alternativos de desempenho, que pedem aos emitentes com valores mobiliários admitidos em mercado regulamentado que definam cada indicador que usam, expliquem como o calculam, o reconciliem com a rubrica das contas mais próxima e o mantenham consistente ao longo do tempo. Essas orientações não abrangem os indicadores que constam das próprias demonstrações financeiras, como é o caso da linha do SNC, mas o princípio serve para qualquer empresa: quando comparar o EBITDA de duas, confirme primeiro que ambas o calculam da mesma forma.

Dívida líquida sobre EBITDA e cobertura de juros

O rácio dívida líquida sobre EBITDA é o indicador mais usado para medir alavancagem. Ao valor da dívida financeira (empréstimos, locações financeiras e suprimentos remunerados, ou seja, empréstimos dos sócios com juros) retira-se o dinheiro em caixa e em depósitos, e divide-se o resultado pelo EBITDA do ano. O resultado lê-se em anos: quantos anos de EBITDA seriam precisos para pagar a dívida toda.

Em Portugal há uma referência pública e datada para este rácio, o que é raro: o regulamento dos estatutos PME Líder e PME Excelência do IAPMEI. No regulamento de 2025, para ser PME Líder a dívida financeira líquida não podia passar de 4,50 vezes o EBITDA; para ser PME Excelência, o limite descia para 2,00 vezes. São critérios de elegibilidade, não normas de risco, mas dão uma escala portuguesa e verificável. As agências de notação usam escalas semelhantes: a S&P Global Ratings classifica como endividamento mínimo os valores abaixo de 1,5 vezes, como significativo os que ficam entre 3 e 4 vezes e como muito alavancado os que passam de 5. Muitos contratos de financiamento incluem cláusulas com um limite máximo para este rácio e dão ao banco o direito de exigir o reembolso antecipado se for ultrapassado.

A cobertura de juros completa o quadro: divide-se o EBIT pelos juros suportados e obtém-se quantas vezes o resultado operacional cobre o custo da dívida. O limiar crítico é uma vez: abaixo disso, o resultado da atividade não chega sequer para pagar os juros. Na prática de crédito, três vezes é o patamar de conforto, embora seja convenção de mercado e não regra escrita. Para dar uma ideia da escala, o Banco de Portugal publica um indicador próximo mas não idêntico: no início de 2026, no conjunto das empresas portuguesas, o EBITDA cobria os gastos de financiamento cerca de oito vezes. Como o numerador é o EBITDA e não o EBIT, esse valor fica sempre acima do rácio que o simulador apresenta.

Múltiplos de EBITDA: quanto vale a empresa

Na compra e venda de empresas, o preço raramente se fixa por múltiplos de vendas ou de resultado líquido. Fixa-se por múltiplos de EBITDA. A lógica é simples: o comprador vai financiar a compra à sua maneira e vai ter a sua própria carga fiscal, por isso interessa-lhe o resultado antes de juros e impostos.

O valor da empresa, ou enterprise value, obtém-se ao multiplicar o EBITDA recorrente pelo múltiplo do setor. Para chegar ao valor que cabe aos sócios, subtrai-se a dívida financeira líquida. Nas pequenas e médias empresas portuguesas, o múltiplo situa-se com frequência entre três e oito vezes o EBITDA, mas depende muito do setor, da dimensão, do crescimento e do grau de dependência face ao dono.

Duas referências ajudam a calibrar as expetativas. O Argos Index, que segue transações reais de empresas não cotadas da zona euro com valor de capital entre 15 e 500 milhões de euros, apontava para uma mediana de 8,6 vezes o EBITDA no primeiro trimestre de 2026, com os fundos de investimento a pagar 10 vezes e os compradores estratégicos 7,8. Já os múltiplos que Aswath Damodaran publica para o mercado europeu cotado davam, em janeiro de 2026, cerca de 10,7 vezes o EBITDA para o conjunto do mercado. Uma empresa pequena vale, em regra, menos por cada euro de EBITDA do que uma cotada ou do que um negócio de dezenas de milhões, porque tem menos liquidez, mais risco de concentração de clientes e maior dependência do dono. Para uma estimativa com três métodos e múltiplos por setor, use o simulador de avaliação de empresas.

EBITDA negativo: o que significa

Um EBITDA negativo significa que os gastos operacionais superam os rendimentos operacionais, ainda antes de contar com depreciações, juros e imposto. A atividade consome dinheiro em vez de o gerar. Não há aqui truques contabilísticos a atenuar o diagnóstico: o problema está na operação.

Numa empresa em arranque é esperado e faz parte do plano, desde que haja tesouraria para resistir até ao ponto de viragem. Num negócio maduro é um sinal grave, e as causas costumam ser três: preço abaixo do custo de produção, volume insuficiente para diluir a estrutura fixa ou estrutura de custos desproporcionada face ao volume de negócios. O simulador de ponto de equilíbrio ajuda a perceber que volume de vendas seria preciso para inverter a situação.

Do resultado antes de impostos ao resultado líquido

Entre o resultado antes de impostos e o resultado líquido existe uma única linha: o imposto sobre o rendimento do período. Mas essa linha esconde um percurso que quase nunca é uma multiplicação simples pela taxa de IRC.

O artigo 17.º do Código do IRC estabelece que o lucro tributável é a soma algébrica do resultado líquido do período com as variações patrimoniais não refletidas nesse resultado, corrigida nos termos do Código. As correções fazem-se no quadro 07 da declaração Modelo 22 e são muitas: as multas e as coimas não são dedutíveis; as provisões que não estejam previstas na lei fiscal acrescem; parte das depreciações de viaturas ligeiras de passageiros não é aceite; os gastos de financiamento líquidos têm um teto. Do outro lado, há deduções, como a eliminação da dupla tributação de dividendos recebidos ou benefícios fiscais.

Sobre a matéria coletável aplicam-se depois as taxas. Nos períodos de tributação que se iniciem durante 2026, a taxa geral do IRC é de 19 por cento, por força da norma transitória da Lei n.º 64/2025, de 7 de novembro, que fixou a descida para 18 por cento em 2027 e 17 por cento a partir de 2028. As pequenas e médias empresas e as empresas de pequena-média capitalização que exerçam, diretamente e a título principal, uma atividade agrícola, comercial ou industrial pagam 15 por cento sobre os primeiros 50 000 euros de matéria coletável e a taxa geral sobre o restante, dentro dos limites dos auxílios de minimis. Acrescem a derrama municipal, fixada por cada município até 1,5 por cento do lucro tributável, e a derrama estadual, de 3 por cento sobre a parte do lucro tributável entre 1,5 e 7,5 milhões de euros, 5 por cento entre 7,5 e 35 milhões e 9 por cento acima disso.

Há ainda as tributações autónomas, que incidem sobre despesas e não sobre o lucro, e que são devidas mesmo quando a empresa dá prejuízo. É essa uma das razões pelas quais a taxa efetiva de imposto de uma empresa portuguesa quase nunca coincide com a taxa nominal. Para essa conta, use o simulador de tributações autónomas.

O EBITDA na lei fiscal portuguesa

O conceito de EBITDA aparece também no Código do IRC, embora escrito por extenso. O artigo 67.º limita a dedutibilidade dos gastos de financiamento líquidos ao maior de dois valores: um milhão de euros ou 30 por cento do «resultado antes de depreciações, amortizações, gastos de financiamento líquidos e impostos». Uma empresa muito endividada pode, por isso, ver parte dos juros recusada como gasto fiscal, o que aumenta o imposto a pagar sem que o resultado contabilístico mude.

Atenção a um detalhe que passa muitas vezes despercebido: o n.º 13 desse artigo esclarece que o valor de referência não é o EBITDA contabilístico. É um EBITDA fiscal, construído a partir do lucro tributável ou do prejuízo fiscal, ao qual se somam os gastos de financiamento líquidos e apenas as depreciações e amortizações que sejam fiscalmente dedutíveis. O EBITDA que este simulador calcula é o contabilístico, que é o usado na análise financeira e na avaliação de empresas.

Como usar o simulador

Escolha o modo de cálculo. Se tem a demonstração de resultados à sua frente, use o primeiro modo e copie as rubricas: as quatro linhas principais de gastos operacionais chegam para a maioria das empresas, e as rubricas menos frequentes ficam no painel de outras rubricas. Se só tem o resultado líquido, use o segundo modo e o simulador percorre a cascata em sentido inverso, até chegar ao EBITDA.

Use sempre valores sem IVA e do mesmo período: o IVA não é rendimento nem gasto da empresa; é apenas cobrado ao cliente e entregue ao Estado. Escolha o setor de atividade para comparar a sua margem com a das empresas portuguesas do mesmo ramo. O gráfico dos resultados mostra a cascata: cada barra parte do valor onde a anterior terminou, para se ver onde é que o dinheiro entra e onde é que sai. Se não souber o imposto sobre o rendimento, escolha a estimativa pelo IRC de 2026 e indique a dimensão da empresa e a taxa de derrama do seu município. No painel de análise adicional pode acrescentar ajustes não recorrentes, a dívida financeira líquida e um múltiplo de avaliação, e o simulador devolve o EBITDA ajustado, o rácio de alavancagem e um valor indicativo da empresa. No fim, pode exportar tudo em PDF.

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Perguntas frequentes

O que é o EBITDA?

EBITDA é a sigla inglesa de earnings before interest, taxes, depreciation and amortization, ou seja, o resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações. Mede o que a atividade gera por si só, sem o efeito da forma de financiamento, da carga fiscal e da política de amortizações. Na demonstração de resultados portuguesa corresponde à linha Resultado antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos.

Como se calcula o EBITDA?

Há dois caminhos que dão o mesmo valor. De cima para baixo, somam-se os rendimentos operacionais e subtraem-se os gastos operacionais, ou seja, o custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas, os fornecimentos e serviços externos, os gastos com o pessoal e os outros gastos. De baixo para cima, parte-se do resultado líquido e acrescentam-se o imposto sobre o rendimento, os juros suportados líquidos dos obtidos e as depreciações e amortizações.

Qual é a diferença entre EBITDA e EBIT?

O EBIT é o EBITDA menos as depreciações e amortizações. O EBITDA ignora o desgaste dos ativos; o EBIT já o reconhece. Numa empresa com muito equipamento, a diferença entre os dois é grande. Numa empresa de serviços com poucos ativos, os dois valores ficam próximos. Em português, o EBIT chama-se resultado operacional.

O que é a margem EBITDA e qual é uma boa margem?

A margem EBITDA é o EBITDA a dividir pelo volume de negócios, em percentagem. Diz quantos cêntimos de cada euro faturado sobram depois dos gastos operacionais. Não há um valor bom universal: no comércio e na distribuição é normal ficar abaixo de dez por cento, enquanto no software ou nos serviços profissionais passa muitas vezes dos vinte por cento. A comparação só faz sentido dentro do mesmo setor.

O EBITDA é o mesmo que lucro?

Não. O EBITDA é anterior às depreciações, aos juros e ao imposto, três gastos reais que a empresa tem de suportar. Uma empresa pode ter EBITDA positivo e mesmo assim dar prejuízo. O lucro do período é o resultado líquido, que fica no fim da demonstração de resultados.

O que é o EBT ou resultado antes de impostos?

É o resultado depois de contar com as depreciações e com os juros, mas antes do imposto sobre o rendimento. Em inglês chama-se EBT, earnings before taxes. É a linha Resultado antes de impostos da demonstração de resultados, e serve de ponto de partida para o apuramento do IRC.

Como se passa do EBITDA ao resultado líquido?

Ao EBITDA retiram-se as depreciações e amortizações e chega-se ao EBIT. Ao EBIT soma-se o resultado financeiro, ou seja, os juros obtidos menos os juros suportados, e chega-se ao resultado antes de impostos. A esse valor subtrai-se o imposto sobre o rendimento do período e obtém-se o resultado líquido.

O que significa um EBITDA negativo?

Significa que os gastos operacionais superam os rendimentos operacionais, ainda antes de contar com depreciações, juros e imposto. A atividade consome dinheiro em vez de o gerar. É comum em empresas em arranque, mas num negócio maduro é um sinal grave que aponta para preços baixos, volume insuficiente ou estrutura de custos desproporcionada face ao volume de negócios.

O que é o EBITDA ajustado?

É o EBITDA corrigido de itens que não se repetem ou que não pertencem à atividade normal, como a indemnização paga na saída de um trabalhador, o ganho com a venda de um imóvel, os custos de uma reestruturação ou gastos pessoais lançados na empresa. Serve para mostrar o resultado recorrente. É o valor que compradores, bancos e investidores costumam usar.

O EBITDA inclui os salários?

Sim. Os gastos com o pessoal são um gasto operacional e entram no cálculo do EBITDA. O EBITDA só exclui quatro rubricas: os juros, os impostos sobre o rendimento, as depreciações e as amortizações. Tudo o resto que seja da operação, salários incluídos, já está descontado.

Onde encontro o EBITDA nas contas da minha empresa?

Na demonstração de resultados por naturezas, que é o modelo mais usado em Portugal, existe uma linha chamada Resultado antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos. É essa a linha do EBITDA. Se as contas seguirem o modelo por funções, essa linha não existe e é preciso somar as depreciações ao resultado operacional.

Quantas vezes o EBITDA vale uma empresa?

Nas transações de pequenas e médias empresas, o valor situa-se com frequência entre três e oito vezes o EBITDA recorrente; ao valor assim obtido subtrai-se depois a dívida financeira líquida. O múltiplo depende muito do setor, da dimensão, do crescimento e da dependência face ao dono. É um ponto de partida para negociar, não um preço.

O que é a dívida líquida sobre EBITDA?

É a dívida financeira menos as disponibilidades, a dividir pelo EBITDA. Indica quantos anos de EBITDA seriam precisos para pagar a dívida. Em Portugal há uma referência pública: no regulamento de 2025, o IAPMEI aceitou até duas vezes para o estatuto de PME Excelência e até quatro vezes e meia para o de PME Líder. Acima desse patamar, a alavancagem limita o acesso a novo crédito.

O EBITDA é igual ao cash flow?

Não, embora seja muitas vezes usado como aproximação. O EBITDA ignora as necessidades de fundo de maneio, ou seja, o dinheiro preso em inventários e em créditos sobre clientes, ignora o investimento em equipamento e ignora o reembolso de capital dos empréstimos. Uma empresa pode ter EBITDA elevado e tesouraria em falta.

Como se aumenta o EBITDA de uma empresa?

Só há três vias e todas passam pela operação: subir o preço, vender mais volume ou reduzir os gastos operacionais. Renegociar empréstimos ou alterar o período de depreciação dos equipamentos melhora o resultado líquido, mas não mexe no EBITDA, porque os juros e as depreciações ficam de fora do cálculo.

EBITDA e LAJIDA são a mesma coisa?

São. LAJIDA é a tradução brasileira da sigla, de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Em Portugal usa-se sempre EBITDA e a designação oficial nas contas é Resultado antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos. O cálculo é o mesmo.

O que é o EBITDA fiscal?

É o conceito usado no artigo 67.º do Código do IRC para limitar a dedutibilidade dos juros. Não coincide com o EBITDA contabilístico: toma como ponto de partida o lucro tributável ou o prejuízo fiscal e soma-lhe os gastos de financiamento líquidos e apenas as depreciações e amortizações que sejam fiscalmente dedutíveis.

O EBITDA é obrigatório nas contas da empresa?

A linha correspondente faz parte dos modelos oficiais da demonstração de resultados por naturezas, por isso aparece nas contas da generalidade das empresas portuguesas. A Portaria n.º 220/2015 obriga aliás a remover as linhas que não tenham valores em nenhum dos períodos, e as empresas que apresentem as contas por funções não têm essa linha.

Como se pronuncia EBITDA?

Lê-se como uma palavra única e não se soletra letra a letra. É uma sigla inglesa, de earnings before interest, taxes, depreciation and amortization. Se preferir o termo em português, use a designação que consta das contas: resultado antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos.

Fontes e recursos oficiais