Simulador de Obrigações do Tesouro 2026 (OT e OTRV)
Calcule o rendimento líquido de Obrigações do Tesouro de taxa fixa (OT) e de Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV), com cupões, IRS de 28% sobre os juros, tributação das mais-valias e taxa de rendibilidade efetiva. Valores de mercado de junho de 2026 (fonte: IGCP e Euronext Lisbon).
O que são as Obrigações do Tesouro
As Obrigações do Tesouro são títulos de dívida pública emitidos pela República Portuguesa através do IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública). Quem compra uma obrigação empresta dinheiro ao Estado e recebe, em troca, juros periódicos (cupões) e o valor nominal de volta no vencimento. Existem dois tipos relevantes para o aforrador particular:
- OT de taxa fixa: pagam um cupão anual fixo e reembolsam o valor nominal numa única prestação no vencimento (estrutura bullet). Os prazos vão de 1 a 50 anos.
- OTRV (Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável): foram desenhadas para o retalho e pagam um cupão semestral indexado à Euribor a 6 meses mais um spread fixo, com um piso mínimo.
OTRV julho 2031: as obrigações de retalho em vigor
A emissão de OTRV mais recente é a OTRV julho 2031, com o ISIN PTOTVNOE0009, colocada em julho de 2025. Paga uma taxa anual nominal bruta igual à Euribor a 6 meses mais 0,25%, com piso de 0,25%, em cupões semestrais a 18 de janeiro e 18 de julho. O capital é reembolsado ao par em 18 de julho de 2031. O valor nominal de cada obrigação é de 1 000 euros, o mínimo de subscrição é 1 obrigação e o máximo por investidor é de 1 000 000 de euros.
Com a Euribor a 6 meses em 2,614% (24 de junho de 2026), o cupão bruto ronda 2,864% ao ano. O período de subscrição em mercado primário já terminou; hoje, um particular compra estas obrigações no mercado secundário da Euronext Lisbon, através de um banco ou corretora.
Como funciona o rendimento de uma obrigação
O rendimento de uma obrigação tem duas componentes: os cupões (juros) e o ganho ou perda de capital entre o preço de compra e o valor de reembolso. A medida que resume tudo numa só taxa é a taxa de rendibilidade efetiva (yield to maturity, ou YTM): a taxa anual que iguala o preço pago ao valor atual de todos os fluxos futuros. Este simulador resolve essa taxa por aproximação numérica e apresenta a versão bruta e a versão líquida de impostos.
O preço de uma obrigação exprime-se em percentagem do valor nominal. Comprar ao par (100%) faz a rendibilidade igualar o cupão. Comprar com desconto (abaixo de 100%) acrescenta um ganho de capital no reembolso e eleva a rendibilidade acima do cupão. Comprar com prémio (acima de 100%) implica uma perda de capital no reembolso e baixa a rendibilidade.
Fiscalidade das OT e OTRV em IRS
Para um residente em Portugal continental, a fiscalidade tem duas partes:
| Componente | Categoria | Taxa | Como é pago |
|---|---|---|---|
| Cupões (juros) | E (capitais) | 28% | Retenção na fonte liberatória (art. 71.º) |
| Mais-valias | G | 28% | Taxa autónoma no Anexo G (art. 72.º) |
Os cupões são rendimentos de capitais da Categoria E, com retenção na fonte liberatória de 28% (artigo 71.º do CIRS) aplicada pelo intermediário. A declaração é facultativa; quem tiver rendimento coletável até ao 4.º escalão (23 089 euros em 2026, taxa marginal de 24,10%) pode reduzir o imposto pelo englobamento, que obriga a incluir toda a Categoria E. Nos Açores e na Madeira a retenção é de 19,6%.
As mais-valias (diferença entre o valor de reembolso ou de venda e o preço de compra) são da Categoria G, tributadas à taxa autónoma de 28% (artigo 72.º) sobre o saldo anual entre ganhos e perdas. Para obrigações detidas há mais de 2 anos, o artigo 43.º n.º 5 prevê uma exclusão de parte do ganho: 10% entre 2 e 5 anos (taxa efetiva 25,2%), 20% entre 5 e 8 anos (22,4%) e 30% acima de 8 anos (19,6%). O juro corrido pago na compra é rendimento do vendedor e fica de fora do cálculo da mais-valia do comprador, o que evita dupla tributação. Há uma exceção ao regime dos 28%: se os títulos forem detidos menos de 365 dias e o rendimento coletável atingir o último escalão de IRS (86 634 euros ou mais em 2026), o englobamento das mais-valias passa a obrigatório e a taxa marginal pode chegar aos 48% (artigo 72.º n.º 13 do CIRS).
Não há Imposto do Selo sobre os cupões nem sobre a compra e venda de OT/OTRV no mercado secundário. Os não residentes sem estabelecimento estável beneficiam, em regra, de isenção de IRS sobre a dívida pública portuguesa (Decreto-Lei n.º 193/2005).
Como um particular compra Obrigações do Tesouro
O mercado primário das OT (leilões do IGCP) é reservado aos operadores especializados; o particular não subscreve diretamente. O acesso faz-se assim:
- OTRV: na fase de oferta pública, através dos bancos colocadores (CGD, Millennium BCP, Novo Banco, Santander, BPI, ActivoBank, entre outros). Terminado esse período, no mercado secundário.
- OT de taxa fixa: no mercado secundário da Euronext Lisbon, através de qualquer banco ou corretora, em lotes com valor nominal de 1 000 euros. A cotação é o preço limpo; o comprador paga o preço sujo, que soma o juro corrido.
A compra e a guarda das obrigações têm custos que variam entre intermediários: comissões de corretagem (em regra isentas de IVA mas sujeitas a Imposto do Selo de 4%), comissões de custódia e comissões sobre o pagamento dos cupões. Estes custos reduzem o rendimento líquido e não estão incluídos na simulação.
Obrigações do Tesouro e a família da poupança em 2026
As OT e OTRV fazem parte da oferta de poupança de baixo risco em Portugal, ao lado dos Certificados de Aforro, dos depósitos a prazo e dos PPR. Em junho de 2026:
| Produto | Remuneração | Garantia | Liquidez |
|---|---|---|---|
| OT a 10 anos | Cerca de 3,24% bruto (YTM) | Risco soberano | Mercado secundário |
| OTRV julho 2031 | Euribor 6M mais 0,25% (cerca de 2,86%) | Risco soberano | Mercado secundário |
| Certificados de Aforro F | 2,215% mais prémios (cap 2,5%) | Estado, sem limite | Resgate desde 3 meses |
| Depósito a prazo | Média 1,42% (melhores 2,0% a 2,4%) | FGD até 100 000 € | Prazo fixo |
| PPR | Depende da carteira | Em regra sem garantia | Condicionada |
As OT, as OTRV e os Certificados de Aforro têm todos o risco soberano da República Portuguesa (com rating A+ pela S&P e A pela Fitch em 2026). O Fundo de Garantia de Depósitos cobre os depósitos bancários até 100 000 euros por titular e por banco, um tipo de proteção diferente, que responde à insolvência de um banco e não ao risco do Estado.
Perguntas frequentes
O que são as Obrigações do Tesouro (OT) e as OTRV?
São títulos de dívida pública emitidos pela República Portuguesa através do IGCP. As OT de taxa fixa pagam um cupão anual fixo e reembolsam o valor nominal no vencimento. As OTRV (Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável) são dirigidas a aforradores particulares e pagam um cupão semestral indexado à Euribor a 6 meses mais um spread. Ambas têm o risco de crédito do Estado Português.
Como compra um particular Obrigações do Tesouro?
As OTRV podem ser subscritas no período de oferta definido pelo IGCP, através dos bancos colocadores. Fora desse período, e no caso das OT de taxa fixa, o particular compra no mercado secundário da Euronext Lisbon, através de qualquer banco ou corretora, em lotes com valor nominal de 1 000 euros. O mercado primário das OT (leilões) é reservado aos operadores especializados.
Qual é a taxa de juro da OTRV julho 2031?
A OTRV julho 2031 (ISIN PTOTVNOE0009) paga uma taxa anual nominal bruta igual à Euribor a 6 meses mais 0,25%, com um piso mínimo de 0,25%. Com a Euribor a 6 meses em 2,614% (24 de junho de 2026), o cupão bruto ronda 2,864%. Os juros são pagos de seis em seis meses, a 18 de janeiro e 18 de julho, e o capital é reembolsado ao par em 18 de julho de 2031.
As Obrigações do Tesouro pagam IRS?
Sim. Os cupões (juros) são rendimentos de capitais da Categoria E, sujeitos a retenção na fonte liberatória de 28% (artigo 71.º do CIRS), aplicada pelo intermediário financeiro no pagamento de cada cupão. A declaração é facultativa. Quem tiver uma taxa marginal de IRS inferior a 28% pode optar pelo englobamento, que obriga a incluir toda a Categoria E.
Como são tributadas as mais-valias das obrigações?
O ganho entre o preço de compra e o valor de reembolso ou de venda é uma mais-valia da Categoria G, tributada à taxa autónoma de 28% (artigo 72.º do CIRS), sobre o saldo anual entre ganhos e perdas. Para títulos detidos há mais de 2 anos aplica-se uma exclusão de 10%, 20% ou 30% conforme o prazo de detenção (artigo 43.º n.º 5). Não há retenção na fonte sobre as mais-valias.
Qual é a diferença entre comprar ao par, com desconto ou com prémio?
O preço de uma obrigação exprime-se em percentagem do valor nominal. Ao par significa 100%: a taxa de rendibilidade iguala o cupão. Abaixo do par (desconto, por exemplo 95%) há um ganho de capital no reembolso e a rendibilidade fica acima do cupão. Acima do par (prémio, por exemplo 106%) há uma perda de capital e a rendibilidade fica abaixo do cupão.
As OT e OTRV têm garantia do Estado e Fundo de Garantia de Depósitos?
As OT e OTRV têm a garantia direta do Estado Português, ou seja, o risco soberano da República. Não estão cobertas pelo Fundo de Garantia de Depósitos, que protege os depósitos bancários até 100 000 euros por titular e por banco. Os Certificados de Aforro e do Tesouro partilham o mesmo risco soberano das obrigações; o Fundo de Garantia cobre risco de insolvência bancária, não soberano.
O que é a taxa de rendibilidade efetiva (YTM)?
A taxa de rendibilidade efetiva, ou yield to maturity, é a taxa anual que iguala o preço pago ao valor atual de todos os fluxos futuros (cupões e reembolso). Resume numa só percentagem o rendimento de manter a obrigação até ao vencimento. Este simulador apresenta a taxa efetiva bruta e a taxa efetiva líquida, já depois do IRS sobre cupões e mais-valias.
Obrigações do Tesouro ou Certificados de Aforro: o que rende mais?
Depende das taxas de cada momento. Em junho de 2026, uma OT a 10 anos rende cerca de 3,24% bruto, acima da taxa base dos Certificados de Aforro Série F (2,215%) e da OTRV (cerca de 2,86%). Os Certificados de Aforro têm maior liquidez e capitalização automática, enquanto a OT exige compra no mercado e tem preço variável até ao vencimento. Compare os três no simulador.
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Recursos úteis
- IGCP: Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV)
- IGCP: Obrigações do Tesouro (OT), página em inglês
- Euronext Lisbon: cotações de obrigações
- Banco de Portugal (BPstat): taxas de rendibilidade das OT
- CIRS, artigo 43.º: mais-valias e exclusão por prazo de detenção
- CIRS, artigo 71.º: taxas liberatórias (cupões)
- CIRS, artigo 72.º: taxas especiais (mais-valias)
- CMVM: informação ao investidor sobre obrigações