Simulador de Carro Elétrico
Calcule quanto custa ter um carro 100 por cento elétrico em Portugal: o custo de carregamento em casa e em postos públicos, por ano, por mês e por 100 km, e a poupança face a um carro a gasolina ou gasóleo. Confirme ainda que um elétrico paga 0 € de ISV e 0 € de IUC. Valores de referência de 2026.
O que este simulador calcula
Este simulador reúne, num só sítio, as três contas que importam a quem pondera um carro elétrico em Portugal: quanto custa carregá-lo em casa e na rua, quanto poupa face a um carro a combustível, e que impostos paga. A resposta fiscal é simples e vale a pena dizê-la já: um automóvel ligeiro 100 por cento elétrico não paga ISV na matrícula nem paga IUC todos os anos. O grande custo de utilização passa a ser a energia, e é aí que o simulador é mais útil.
ISV e IUC nos carros elétricos: porque são zero
Os dois principais impostos sobre automóveis tratam o elétrico de forma diferente do carro a combustão, mas por caminhos jurídicos distintos. No ISV, o Imposto Sobre Veículos pago uma vez na matrícula, os veículos exclusivamente elétricos estão fora do imposto: o artigo 2.º, n.º 2, alínea a), do Código do ISV exclui da incidência os veículos elétricos e os movidos a energias renováveis não combustíveis. Como nem sequer entram no cálculo das tabelas, também não lhes toca o mínimo de 100 € que existe nos carros tributados. A exclusão vale para carros novos e para usados importados.
No IUC, o Imposto Único de Circulação pago todos os anos, o mecanismo é uma isenção. O artigo 5.º, n.º 1, alínea e), do Código do IUC isenta os veículos exclusivamente elétricos ou movidos a energias renováveis não combustíveis. A isenção aplica-se a qualquer ano de matrícula, é automática e mantém-se durante toda a vida do veículo, sem necessidade de pedido. O Orçamento do Estado para 2026 não alterou este regime.
| Motorização | ISV | IUC |
|---|---|---|
| 100% elétrico | Não sujeito (0 €) | Isento (0 €) |
| Híbrido plug-in (PHEV) | 25% da tabela, se elegível | Normal (categoria B) |
| Híbrido (não plug-in) | 60% da tabela, se elegível | Normal (categoria B) |
| Gasolina ou gasóleo | Tabela completa | Normal (categoria B) |
A isenção total cobre apenas os veículos exclusivamente elétricos. Os híbridos plug-in pagam IUC normal e pagam ISV com a taxa intermédia de 25 por cento do artigo 8.º, desde que tenham autonomia elétrica de pelo menos 50 km e emissões inferiores a 50 gCO2 por km. Em 2026, os modelos homologados na norma Euro 6e-bis mantêm esses 25 por cento até 80 gCO2 por km.
Quanto custa carregar em casa
Carregar em casa é quase sempre a forma mais barata. O custo resulta do consumo do carro e do preço da sua tarifa de eletricidade. Em 2026, uma tarifa doméstica simples no mercado livre ronda 0,14 a 0,22 € por kWh, com a média de referência da ERSE em torno de 0,198 €. Quem tem tarifa bi-horária e carrega de noite paga muito menos nas horas de vazio, tipicamente 0,10 a 0,12 € por kWh, o que pode poupar quase metade do custo da energia.
A fatura doméstica tem IVA a duas taxas: a Lei n.º 38/2024 fixou a taxa reduzida de 6 por cento nos primeiros 200 kWh por mês, nos contratos até 6,9 kVA, e a taxa normal de 23 por cento no consumo acima desse limite e na potência contratada. Para a maioria das casas, o carregamento de um carro empurra o consumo para a faixa dos 23 por cento, pelo que vale a pena confirmar o preço efetivo do kWh na fatura e usar esse número no simulador.
Quanto custa carregar na rua
Nos postos públicos da rede MOBI.E, o preço é mais alto e tem várias parcelas. O valor que paga junta três blocos: a energia do comercializador de mobilidade elétrica que escolheu, que inclui a tarifa de acesso às redes e a pequena tarifa de gestão da rede EGME (0,1088 € por sessão em 2026, cerca de 3 a 4 por cento do total); a tarifa do operador do posto, que pode ser por kWh, por minuto ou por sessão; e os impostos, com o imposto especial de consumo de 0,001 € por kWh e o IVA a 23 por cento.
| Tipo de posto | Potência | Preço por kWh |
|---|---|---|
| Normal (corrente alternada) | até 22 kW | 0,30 a 0,45 € |
| Rápido (corrente contínua) | 50 kW | 0,45 a 0,65 € |
| Ultrarrápido (corrente contínua) | 150 kW ou mais | 0,60 a 0,80 € |
A diferença entre carregar em casa e usar postos rápidos é grande, e é por isso que o simulador pede a percentagem que carrega em cada sítio. Quem carrega quase sempre em casa e usa a rua apenas em viagens longas tem um custo médio por kWh bem mais baixo do que quem depende dos postos públicos.
Consumo médio de um carro elétrico
O consumo de um elétrico mede-se em kWh aos 100 km. Em uso misto, a maioria dos modelos fica entre 13 e 22 kWh: os citadinos mais perto dos 14 a 17, os SUV maiores nos 20 ou mais. A referência nacional da UVE, a associação de utilizadores de veículos elétricos, é de 16 kWh aos 100 km à roda. A autoestrada a alta velocidade pode subir o consumo 50 a 70 por cento face à cidade. Como o carregamento tem perdas de 10 a 16 por cento, o consumo medido à tomada, que é o que paga, fica perto dos 17 a 18 kWh. É esse valor à tomada que deve usar no simulador.
Elétrico contra combustão: a poupança real
A poupança de um elétrico tem duas partes. A primeira é a energia: para 15 000 km por ano, um elétrico carregado sobretudo em casa gasta à volta de 600 € de eletricidade, contra mais de 1 800 € de combustível num carro equivalente a gasolina. São mais de 1 250 € por ano só na energia. A segunda parte é o imposto: o elétrico não paga IUC, ano após ano, e não pagou ISV na compra, o que num carro a combustão pode valer largas centenas ou milhares de euros. O simulador soma a poupança de energia e lembra a poupança fiscal, para ver o quadro completo.
Apoios à compra de um elétrico em 2026
Além de não pagar ISV nem IUC, a compra de um carro elétrico pode ter apoio direto. Em 2026, o Fundo Ambiental mantém o programa Mobilidade Verde para passageiros, que atribui 4 000 € a particulares na compra de um automóvel 100 por cento elétrico novo, e 5 000 € a instituições sociais, autarquias e autoridades de transportes. A 2.ª fase das candidaturas abriu a 11 de junho de 2026 e decorre até 27 de julho de 2026, ou até esgotar a dotação de 10 milhões de euros. As regras e os prazos podem mudar a cada fase, pelo que convém confirmar no portal do Fundo Ambiental antes de comprar.
Carros elétricos nas empresas
Para empresas, o elétrico tem ainda vantagens próprias. O IVA da compra é dedutível quando o valor de aquisição, sem IVA, não excede 62 500 €, ao contrário dos carros a combustão. E a tributação autónoma em IRC é de 0 por cento até esse valor de aquisição e de 10 por cento acima dele, enquanto um carro a gasolina ou gasóleo paga 8, 25 ou 32 por cento conforme o preço. Estas regras tornam o elétrico particularmente competitivo em frotas e em viaturas de empresa.
Simuladores relacionados
- Simulador de custos de carro, para o custo mensal total de qualquer automóvel.
- Simulador de IUC, para o imposto único de circulação de um carro a combustão.
- Simulador de ISV, para o imposto de matricular ou importar um carro.
- Simulador de crédito automóvel, para a prestação de um crédito para comprar carro.
- Simulador de portagens, para o custo das portagens de um percurso.
Perguntas frequentes
Os carros elétricos pagam ISV?
Não. Os automóveis ligeiros exclusivamente elétricos não estão sujeitos a ISV, por força do artigo 2.º, n.º 2, alínea a), do Código do ISV, que os exclui da incidência do imposto. Aplica-se a carros novos e a usados importados, sem o mínimo de 100 euros que existe nos veículos tributados.
Os carros elétricos pagam IUC?
Não. Os veículos exclusivamente elétricos estão isentos de IUC, ao abrigo do artigo 5.º, n.º 1, alínea e), do Código do IUC. A isenção é automática e mantém-se ao longo da vida do veículo, qualquer que seja o ano da matrícula.
Quanto custa carregar um carro elétrico em casa?
Com um consumo de 17 kWh aos 100 km e uma tarifa simples de cerca de 0,18 € por kWh, cada 100 km custam à volta de 3,06 €. Com carregamento noturno em vazio bi-horário, a cerca de 0,10 € por kWh, descem para perto de 1,70 €. O preço por kWh consta da sua fatura de eletricidade.
Quanto custa carregar num posto público?
Em 2026, na rede pública MOBI.E, o carregamento normal em corrente alternada até 22 kW custa tipicamente 0,30 a 0,45 € por kWh, o carregamento rápido em corrente contínua de 50 kW custa 0,45 a 0,65 €, e o ultrarrápido de 150 kW ou mais 0,60 a 0,80 €. O preço final junta a energia do comercializador, a tarifa do operador do posto, a tarifa de gestão da rede, o imposto especial de consumo e o IVA a 23 por cento.
Compensa ter um carro elétrico face à gasolina?
No custo de energia, quase sempre. Para 15 000 km por ano, um elétrico carregado sobretudo em casa gasta cerca de 600 € de eletricidade, contra mais de 1 800 € de gasolina num carro equivalente. A poupança ronda os 1 250 € por ano, a que acrescem 0 € de IUC e 0 € de ISV. O simulador mostra a diferença exata para os seus números.
Há apoios à compra de um carro elétrico em 2026?
Sim. O Fundo Ambiental tem, em 2026, o programa Mobilidade Verde para passageiros, que apoia a compra de um automóvel 100 por cento elétrico com 4 000 € para particulares. As candidaturas da 2.ª fase abriram a 11 de junho de 2026 e decorrem até 27 de julho de 2026 ou até esgotar a dotação. Confirme as condições no portal do Fundo Ambiental.
Os híbridos plug-in também estão isentos de impostos?
Não. A isenção total só abrange os veículos exclusivamente elétricos. Os híbridos plug-in pagam IUC normal da categoria B e pagam ISV com a taxa intermédia de 25 por cento do artigo 8.º, desde que tenham autonomia elétrica de pelo menos 50 km e emissões inferiores a 50 gCO2 por km. Em 2026 os modelos homologados na norma Euro 6e-bis mantêm os 25 por cento até 80 gCO2 por km.
Qual o consumo médio de um carro elétrico?
Em uso misto, a maioria dos elétricos consome entre 13 e 22 kWh aos 100 km. Os citadinos ficam mais perto dos 14 a 17 kWh e os SUV maiores chegam aos 20 ou mais. A referência nacional da UVE é de 16 kWh aos 100 km à roda; como o carregamento tem perdas de 10 a 16 por cento, o consumo medido à tomada, que é o que paga, fica perto dos 17 a 18 kWh.
Fontes e recursos oficiais
- Código do ISV consolidado (Diário da República)
- Código do IUC consolidado (Diário da República)
- MOBI.E, rede nacional de mobilidade elétrica
- ERSE, Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos
- DGEG, preços de combustíveis e de energia
- Fundo Ambiental, apoios à mobilidade elétrica
- Portal das Finanças, ISV e IUC