Simulador de Orçamento Familiar (regra 50/30/20)
Some os rendimentos líquidos do agregado, registe as despesas mensais e anuais por categoria e veja o saldo do mês, a taxa de poupança e a taxa de esforço com créditos. O simulador compara o peso das necessidades, dos desejos e da poupança com a regra 50/30/20, em euros e em percentagem. Pode partir do salário bruto: o líquido vem do simulador de salário líquido do simula.pt. Os cálculos são feitos no seu navegador e o simula.pt não recebe os valores.
Valores mensais, trimestrais, semestrais ou anuais (o simulador converte para o mês). O grupo é sugerido pelo nome e pode mudá-lo. Marque «Crédito» nas prestações de empréstimos, para a taxa de esforço. No telemóvel, o grupo e o crédito estão no botão ao lado do período.
A regra 50/30/20 é uma referência de Elizabeth Warren e Amelia Warren Tyagi, não uma lei nem uma recomendação oficial.
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| Grupo | No seu orçamento | % | Regra | Diferença |
|---|---|---|---|---|
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Os valores iniciais são um exemplo ilustrativo de um casal com dois salários, não são médias estatísticas. Os cálculos são feitos no seu navegador. O simula.pt não recebe nem guarda os valores que escreve nem os resultados, e as estatísticas anónimas do site não recebem estes campos. O orçamento só fica guardado neste dispositivo se carregar em «Guardar neste dispositivo».
Como usar o simulador de orçamento familiar
O simulador abre com um exemplo preenchido, para ver logo um resultado. Substitua os valores pelos do seu agregado em três passos. Primeiro, indique o salário líquido mensal de cada pessoa e os outros rendimentos (abono de família, rendas recebidas, pensão de alimentos). Se só sabe o salário bruto, escolha «Partir do bruto»: o líquido é calculado pelo mesmo motor do simulador de salário líquido, com as tabelas de retenção na fonte de 2026. Segundo, preencha as despesas de cada categoria, por mês, por trimestre, por semestre ou por ano, e confirme o grupo de cada uma. Terceiro, escolha a regra de referência. O saldo, as percentagens e as frases de comparação atualizam enquanto escreve.
Pode acrescentar ou remover pessoas e categorias, mudar o nome de qualquer categoria e marcar as prestações de crédito. No fim, copie o resumo, exporte as despesas para uma folha de cálculo (CSV) ou guarde o orçamento neste dispositivo para o rever no mês seguinte.
O que é o orçamento familiar
O orçamento familiar é o registo do dinheiro que entra numa casa num mês e do destino que lhe é dado. De um lado ficam os rendimentos líquidos de todas as pessoas do agregado; do outro, as despesas, a poupança e as prestações de créditos. A diferença é o saldo do mês: positivo, sobra dinheiro; negativo, gasta-se mais do que se recebe e a diferença sai de poupanças anteriores ou de crédito.
O plano nacional de formação financeira Todos Contam, do Banco de Portugal e dos outros supervisores financeiros, divide o processo em três passos: identificar os rendimentos líquidos, identificar as despesas e calcular o saldo. Este simulador segue a mesma ordem e acrescenta a comparação com a regra 50/30/20.
Como fazer um orçamento familiar mensal, passo a passo
- Some os rendimentos líquidos. Conta o que entra na conta depois de IRS e Segurança Social. Os subsídios de férias e de Natal podem entrar à parte, nos meses em que são pagos, ou divididos por 12.
- Liste as despesas fixas. Renda ou prestação da casa, condomínio, seguros, creche, telecomunicações, subscrições. São iguais todos os meses ou quase.
- Estime as despesas variáveis. Supermercado, eletricidade, água, gás, combustível, farmácia, restaurantes. Os extratos bancários dos últimos três meses dão uma média realista.
- Converta as despesas anuais para o mês. O IMI, o IUC, os seguros pagos de uma vez e as férias dividem-se por 12. Uma despesa trimestral divide-se por 3.
- Registe a poupança como uma despesa. A transferência para um depósito ou um PPR feita no início do mês entra no orçamento como as outras.
- Calcule o saldo e compare. Rendimento menos despesas menos poupança. Depois, compare o peso de cada grupo com uma referência, como a regra 50/30/20.
Despesas fixas e variáveis, necessidades e desejos
Há duas formas de arrumar as despesas e servem para coisas diferentes. A divisão entre fixas e variáveis mostra o que se consegue mexer a curto prazo: a renda é fixa, o supermercado é variável. A divisão entre necessidades e desejos mostra o que é indispensável: os materiais de formação do Todos Contam chamam supérfluas às despesas que «não satisfazem necessidades, mas sim desejos» e notam que também podem ser fixas, como a prestação de um crédito pedido para uma viagem.
| Categoria | Fixa ou variável | Grupo sugerido |
|---|---|---|
| Renda ou prestação do crédito à habitação | Fixa | Necessidade (crédito) |
| Condomínio, IMI, seguros obrigatórios | Fixa | Necessidade |
| Eletricidade, água e gás | Variável | Necessidade |
| Alimentação e supermercado | Variável | Necessidade |
| Transportes (passe, combustível) | Variável | Necessidade |
| Saúde e educação | Fixa ou variável | Necessidade |
| Internet e telemóvel | Fixa | Necessidade |
| Restaurantes, cafés, takeaway | Variável | Desejo |
| Streaming, ginásio, outras subscrições | Fixa | Desejo |
| Férias e lazer | Variável | Desejo |
| Depósitos, PPR, certificados de aforro | Fixa ou variável | Poupança e dívidas |
| Amortizações antecipadas de créditos | Variável | Poupança e dívidas |
A fronteira entre necessidade e desejo depende de cada família. Um carro pode ser indispensável numa aldeia sem transportes públicos e dispensável no centro de Lisboa. Por isso o grupo sugerido pelo simulador é só um ponto de partida: mude-o sempre que não corresponder à sua situação.
A regra 50/30/20: o que é e de onde vem
A regra 50/30/20 divide o rendimento líquido em três partes: 50 % para necessidades, 30 % para desejos e 20 % para poupança e pagamento de dívidas. Foi popularizada por Elizabeth Warren e pela filha, Amelia Warren Tyagi, no livro «All Your Worth: The Ultimate Lifetime Money Plan», publicado pela Free Press em 2005.
É uma referência para olhar para um orçamento, não uma lei nem uma recomendação de qualquer entidade portuguesa. Foi pensada para famílias dos Estados Unidos e as proporções reais variam muito com o rendimento, a região e o custo da habitação. Uma família com rendimentos baixos pode precisar de bem mais de 50 % só para as necessidades; isso descreve a situação, não um erro. O simulador limita-se a mostrar a distância a que cada grupo está da referência, em euros e em pontos percentuais.
No simulador, as prestações normais de créditos contam por omissão como necessidades (a da casa faz parte da habitação) e as amortizações antecipadas contam como poupança e dívidas. Pode mudar o grupo de qualquer linha.
Exemplo resolvido: um casal com 2 350 € líquidos por mês
O exemplo com que o simulador abre é um casal com 1 250 € e 1 100 € líquidos por mês, com um filho na creche e crédito à habitação. As despesas anuais foram convertidas para o mês: 250 € de IMI dão 20,83 € por mês, 600 € de seguros dão 50 € e 1 200 € de férias dão 100 €.
| Grupo | Valor mensal | Peso no rendimento | Regra 50/30/20 |
|---|---|---|---|
| Necessidades | 1 650,83 € | 70,2 % | 50 % = 1 175,00 € |
| Desejos | 310,00 € | 13,2 % | 30 % = 705,00 € |
| Poupança e dívidas | 150,00 € | 6,4 % | 20 % = 470,00 € |
| Saldo por afetar | 239,17 € | 10,2 % |
As necessidades pesam 70,2 %, acima dos 50 % da regra, sobretudo por causa da prestação da casa (600 €) e da alimentação (450 €). A taxa de esforço é 600 ÷ 2 350 = 25,5 %. A poupança registada é de 6,4 % do rendimento; se o saldo de 239,17 € também for poupado, a taxa de poupança passa para 16,6 %.
Variantes: 60/30/10, 70/20/10 e regra personalizada
Circulam outras divisões, como 60/30/10 ou 70/20/10, sem um autor de referência e com leituras diferentes conforme a fonte. No simulador, os três números leem-se sempre pela mesma ordem: necessidades, desejos, poupança e dívidas. A opção «Personalizada» aceita quaisquer três percentagens que somem 100 %, por exemplo 55/25/20 para quem paga uma renda alta e quer manter os 20 % de poupança.
Taxa de poupança: como se calcula
A taxa de poupança é a parte do rendimento líquido que fica guardada: poupança do mês a dividir pelo rendimento, vezes 100. O simulador conta as linhas do grupo «Poupança e dívidas» que não estão marcadas como crédito. Mostra também a taxa que resultaria se o saldo positivo do mês fosse poupado, porque esse dinheiro ainda não tem destino. Com 150 € poupados em 2 350 €, a taxa é 6,4 %; com mais 239,17 € de saldo, passa para 16,6 %.
Para ver quanto rende essa poupança ao fim de alguns anos, use o simulador de conta poupança ou o de juros compostos.
Taxa de esforço: o peso dos créditos no rendimento
A taxa de esforço é a percentagem do rendimento líquido que vai para prestações de créditos: soma das prestações mensais a dividir pelo rendimento líquido mensal, vezes 100. O Todos Contam define-a como «a percentagem do rendimento destinada ao pagamento das prestações de créditos que tenham sido contraídos» e lembra que é apenas um indicador, que deve ser lido com a composição do agregado e o nível de rendimentos.
Os bancos fazem uma conta parecida antes de conceder crédito. Pela Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026 do Banco de Portugal, aplicável aos contratos cuja avaliação de solvabilidade ocorra a partir de 1 de agosto de 2026, o rácio DSTI (prestações de todos os empréstimos a dividir pelo rendimento líquido de impostos e contribuições) não deve passar de 45 %. Até aí o limite era 50 %. Em cada semestre, até 10 % do montante dos créditos concedidos por um banco pode ultrapassar esse limite. O valor do banco pode ser diferente do calculado aqui: o banco divide o rendimento anual, com os subsídios, por 12 (artigo 4.º, n.º 5, alínea a), da recomendação) e, no crédito a taxa variável ou mista, calcula a prestação do novo crédito com a taxa de juro agravada entre 0,5 e 1,5 pontos percentuais, conforme o prazo (Instrução n.º 23/2023). No simulador, com o salário líquido escrito à mão ou com a opção «Mês normal», o rendimento do mês não inclui os subsídios.
Para simular a prestação de um empréstimo para casa, use o simulador de crédito habitação.
Do salário bruto ao líquido: subsídios e duodécimos
Com a opção «Partir do bruto», o simulador não calcula o IRS por conta própria: usa o motor do simulador de salário líquido, com as tabelas de retenção na fonte de 2026 para o Continente, a quotização de 11 % para a Segurança Social e o subsídio de refeição isento até ao limite legal. Pode escolher entre duas formas de contar os subsídios de férias e de Natal:
- Mês normal: o líquido de um mês sem subsídios. Os dois subsídios ficam fora do orçamento mensal, como reserva para as despesas anuais ou para os meses em que são pagos.
- Média com subsídios: o líquido anual (12 salários mais os dois subsídios) a dividir por 12. Aproxima o que recebe quem tem os subsídios pagos em duodécimos. A retenção em duodécimos não está modelada ao cêntimo, por isso o valor real pode diferir em alguns cêntimos.
Em novembro de 2026, a retenção na fonte dos salários pagos nesse mês é reduzida a metade (Despacho n.º 12523-A/2026), o que aumenta o líquido desse mês. O orçamento usa as tabelas normais, que valem para os outros meses.
Como gastam as famílias em Portugal
Segundo o Inquérito às Despesas das Famílias 2022/2023 do INE, a despesa total anual média por agregado era de 23 900 €. A habitação, a água, a eletricidade, o gás e outros combustíveis representavam 39,3 % da despesa; os produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, 12,9 %; os transportes, 12,1 %. Juntos, concentravam cerca de 64 % da despesa média.
O peso da habitação inclui as rendas imputadas a quem vive em casa própria (um valor estatístico, não um pagamento), por isso não se compara diretamente com o que cada família paga em dinheiro. Para comparar o custo de vida entre concelhos ou ao longo do tempo, use o simulador de custo de vida e a calculadora de inflação.
Erros comuns no orçamento familiar
- Esquecer as despesas anuais. IMI, IUC, seguros, revisão do carro, material escolar e prendas de Natal desaparecem do orçamento mensal e aparecem todas juntas. Convertê-las para o mês evita surpresas.
- Usar o salário bruto. O orçamento faz-se com o que entra na conta. O bruto inclui IRS e Segurança Social que nunca chegam a ser gastos pela família.
- Contar os subsídios duas vezes. Se recebe os subsídios em duodécimos, eles já estão no salário mensal; não os some outra vez.
- Deixar a poupança para o fim do mês. O que sobra no fim raramente é poupado. Registar a poupança como uma despesa torna-a visível no orçamento.
- Estimar o supermercado de memória. As despesas variáveis são as mais subestimadas. A média dos extratos dos últimos meses é mais fiável.
- Ignorar despesas partilhadas. Em casas com várias pessoas, combine quem paga o quê. O simulador para dividir despesas reparte as contas de forma proporcional ou em partes iguais.
Simuladores relacionados
- Simulador de salário líquido, para passar do bruto ao líquido com as tabelas de retenção de 2026.
- Simulador de custo de vida, para comparar quanto custa viver em diferentes concelhos.
- Simulador de crédito habitação, para calcular a prestação da casa e a taxa de esforço.
- Simulador para dividir despesas, para repartir as contas da casa entre várias pessoas.
- Simulador de conta poupança, para ver quanto rende a poupança mensal.
- Calculadora de inflação, para atualizar valores pela subida dos preços.
Perguntas frequentes
O que é o orçamento familiar?
É o registo do dinheiro que entra numa casa num mês, os rendimentos líquidos de todas as pessoas do agregado, e do destino que lhe é dado: despesas, poupança e prestações de créditos. A diferença entre as duas partes é o saldo do mês.
Como fazer um orçamento familiar mensal?
Some os rendimentos líquidos do agregado, liste as despesas fixas, estime as variáveis com base nos extratos dos últimos meses, divida as despesas anuais por 12 para as passar ao mês e registe a poupança como uma despesa. O saldo é o rendimento menos tudo o resto.
O que é a regra 50/30/20?
É uma referência que divide o rendimento líquido em 50 % para necessidades, 30 % para desejos e 20 % para poupança e pagamento de dívidas. Não é uma lei nem uma recomendação oficial em Portugal; serve para comparar o peso de cada grupo no orçamento.
Quem criou a regra 50/30/20?
Foi popularizada por Elizabeth Warren e pela filha, Amelia Warren Tyagi, no livro All Your Worth: The Ultimate Lifetime Money Plan, publicado pela Free Press em 2005.
A regra 50/30/20 aplica-se ao salário bruto ou ao líquido?
Ao rendimento líquido, o que entra na conta depois de IRS e Segurança Social. O simulador usa sempre valores líquidos; se partir do salário bruto, o líquido é calculado pelo simulador de salário líquido do simula.pt.
Onde entram as prestações de crédito na regra 50/30/20?
No simulador, a prestação normal de um crédito conta por omissão como necessidade, porque a da casa faz parte da habitação, e as amortizações antecipadas contam como poupança e dívidas. Pode mudar o grupo de cada linha.
Quais são as despesas fixas e as despesas variáveis?
As fixas repetem-se com o mesmo valor todos os meses, como a renda, a prestação da casa, o condomínio, os seguros e as subscrições. As variáveis mudam de mês para mês, como o supermercado, a eletricidade, o combustível e os restaurantes.
Como incluir despesas anuais no orçamento mensal?
Divida o valor anual por 12. Um IMI de 250 € dá 20,83 € por mês e 1 200 € de férias dão 100 € por mês. No simulador basta escolher «por ano» e a conversão é automática; também aceita valores por trimestre e por semestre.
Como se calcula a taxa de esforço?
Soma-se o valor de todas as prestações mensais de créditos e divide-se pelo rendimento líquido mensal do agregado, vezes 100. Com 600 € de prestações e 2 350 € de rendimento, a taxa de esforço é 25,5 %.
Qual é o limite da taxa de esforço do Banco de Portugal?
Para contratos avaliados a partir de 1 de agosto de 2026, a Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026 indica aos bancos um limite de 45 % para o rácio entre prestações e rendimento líquido (DSTI), antes 50 %. Até 10 % do montante concedido em cada semestre pode ultrapassá-lo.
Os subsídios de férias e de Natal entram no orçamento mensal?
Depende de como os recebe. Se vêm em junho e dezembro, pode deixá-los fora do mês e usá-los para as despesas anuais. Se vêm em duodécimos, já fazem parte do salário mensal. Com o salário bruto, o simulador mostra as duas opções.
Qual é a taxa de poupança de referência?
Não há um valor oficial. A regra 50/30/20 usa 20 % do rendimento líquido para poupança e pagamento de dívidas como referência. O simulador mostra a sua taxa de poupança e a diferença para a regra escolhida, sem juízos.
Os dados que escrevo no simulador ficam guardados?
Os cálculos são feitos no seu navegador. O simula.pt não recebe nem guarda os valores nem os resultados, e as estatísticas anónimas do site não recebem estes campos. O orçamento só fica guardado neste dispositivo se carregar em «Guardar neste dispositivo», e pode apagá-lo a qualquer momento.
Fontes e recursos
- Elizabeth Warren e Amelia Warren Tyagi, «All Your Worth: The Ultimate Lifetime Money Plan», Free Press, 2005 (ISBN 978-0-7432-6987-2)
- Banco de Portugal, Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026 (limite de 45 % ao DSTI)
- Banco de Portugal, Instrução n.º 23/2023 (agravamento da taxa de juro no cálculo do DSTI)
- Todos Contam, simulador do orçamento familiar do plano nacional de formação financeira
- Todos Contam, «Como elaborar o orçamento familiar» (PDF)
- Todos Contam, gestão do orçamento familiar e taxa de esforço (PDF)
- INE, Inquérito às Despesas das Famílias 2022/2023
- Despacho n.º 233-A/2026, tabelas de retenção na fonte de IRS para 2026