Automóvel

Segurança rodoviária: meta é cortar mortes para metade

As mortes nas estradas já descem face a 2019, mas os feridos graves aumentam: em 2025 foram 2 863 a 24 horas, segundo os dados provisórios da ANSR.

Por simula.pt2 min de leitura

Vista aérea de um nó de autoestrada com carros a circular, rodeado de árvores.
Foto: marcinjozwiak / Pixabay

O Governo aprovou a 5 de novembro, em Conselho de Ministros, a versão final da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária 2030. O objetivo é reduzir pelo menos para metade o número de mortos e de feridos graves nas estradas até 2030, face a 2019. A longo prazo, a estratégia aponta para 2050 sem mortes nem feridos graves. A decisão foi tomada por resolução do Conselho de Ministros, que ainda tem de ser publicada em Diário da República.

Em 2019 morreram 626 pessoas nas estradas do continente

A Comissão Europeia escolheu 2019 como referência para as metas de 2030. Em 2020 e 2021 houve quebras significativas da circulação nas estradas. Segundo a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), morreram em 2019 nas estradas do continente 626 pessoas. Com as regiões autónomas, foram 688 mortos e 2 383 feridos graves. Estes valores contam as vítimas a 30 dias, ou seja, as mortes até 30 dias depois do acidente. O texto final da estratégia, com os indicadores exatos da meta, ainda não foi publicado.

As mortes descem, mas os feridos graves sobem

Em 2024, último ano com dados a 30 dias, houve 618 mortos e 2 626 feridos graves no continente e nas regiões autónomas. São menos 70 mortes do que em 2019, uma descida de 10,2%. Os feridos graves aumentaram 10,2%, mais 243 pessoas. Só no continente morreram 595 pessoas, menos 31 do que em 2019. Para 2025, a ANSR só tem para já dados provisórios a 24 horas. Mostram a mesma tendência: no continente e nas regiões autónomas houve 450 mortos, menos 13,5% do que em 2019, e 2 863 feridos graves, mais 13,1%. O número de acidentes com vítimas subiu 4,7% no mesmo período. Nos relatórios da ANSR, ferido grave é quem fica internado pelo menos 24 horas. As metas europeias usam outro critério, a escala médica MAIS 3+.

Portugal continua acima da média europeia

Em 2024, Portugal registou 58,1 mortos por milhão de habitantes, contra 45,0 na União Europeia. É um valor 29,1% acima da média, que deixa o país no 22.º lugar entre os 27. Segundo a ANSR, os acidentes custaram 6,1 mil milhões de euros nesse ano, entre custos económicos e sociais. O valor corresponde a 2,1% do produto interno bruto (PIB).

Velocidade, álcool e distração entre as prioridades

Segundo o Governo, a estratégia aposta na melhoria das infraestruturas e na proteção de peões, ciclistas e motociclistas. Quer também prevenir os comportamentos de risco, como o excesso de velocidade, o consumo de álcool e drogas, a distração e a fadiga. Inclui ainda a melhoria do socorro, da reabilitação e do apoio às vítimas e às famílias. A execução vai fazer-se em dois planos de ação, um para 2027 e 2028 e outro para 2029 e 2030.

Para perceber melhor IUC 2027: pagamento em outubro ou em julho e outubro

Os números

IndicadorValorPeríodo
Mortos a 30 dias, 20246182024
Feridos graves a 30 dias, 20242 6262024
Mortos por milhão de habitantes, Portugal58,12024
Mortos por milhão de habitantes, UE2745,02024
Custo dos acidentes, 20246,1 mil milhões de euros2024
Mortos a 24 horas, 20254502025
Feridos graves a 24 horas, 20252 8632025
Mortos a 30 dias no continente, 20196262019
Mortos a 30 dias no continente, 20245952024

Fontes

Como verificámos. A aprovação da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária 2030, a meta de reduzir para metade mortos e feridos graves face a 2019, o objetivo para 2050 e os dois planos de ação foram conferidos no comunicado do Conselho de Ministros e na notícia do Governo de 5 de novembro de 2026. Os mortos e feridos graves de 2019, 2024 e 2025, a comparação europeia e o custo dos acidentes foram conferidos nos relatórios anuais da ANSR a 30 dias (2024) e a 24 horas (2025).

Mais notícias

Todas as notícias