Habitação

Casa leva mais de 40% do rendimento a 6,3% em Portugal

Portugal fica abaixo da média europeia, mas os inquilinos a preços de mercado e as famílias monoparentais estão muito mais expostos. Entre os adultos sozinhos com filhos, a taxa subiu pelo terceiro ano seguido.

Por simula.pt3 min de leitura

Prédios de habitação coloridos numa encosta do Porto, com janelas e varandas.
Foto: pohjakroon / Pixabay

Em 2025, 6,3% da população em Portugal vivia em agregados cujos custos com a casa ultrapassavam 40% do rendimento disponível. O valor consta da base do Eurostat sobre a sobrecarga das despesas com a habitação, atualizada a 5 de novembro. A taxa desceu face aos 6,9% de 2024 e fica abaixo dos 7,6% da média da União Europeia. A média europeia também recuou, de 8,2% para 7,6%. Por trás destes números há grupos com uma realidade muito diferente.

Os inquilinos a preços de mercado são os mais expostos

Entre quem paga renda a preços de mercado, a taxa foi de 27,2% em 2025. Mais de um quarto destes inquilinos estava assim acima do limiar dos 40%. O valor desceu 3,1 pontos percentuais face aos 30,3% de 2024, mas continua 8,7 pontos acima dos 18,5% da média da UE. Em Espanha, a taxa destes inquilinos foi de 26,8%, muito perto da portuguesa. Os números por situação perante a casa vêm de uma tabela do Eurostat atualizada a 29 de outubro.

Quem tem casa própria está numa posição muito diferente, e abaixo da média europeia. A tabela compara os quatro grupos em Portugal, em 2024 e 2025, com a média da UE em 2025. Mostra que a taxa desceu em todos os grupos num ano e que só os inquilinos a preços de mercado ficam acima da média europeia.

Situação perante a casaPortugal, 2024Portugal, 2025UE, 2025
Renda a preços de mercado30,3%27,2%18,5%
Renda reduzida ou gratuita3,6%2,8%9,2%
Proprietários com crédito3,8%3,0%4,6%
Proprietários sem crédito2,0%1,3%3,7%

Nas famílias monoparentais a taxa continuou a subir

Entre os adultos sozinhos com filhos a cargo, a taxa chegou a 20,6% em 2025, contra 14,4% na média da UE. Em 2022 estava nos 14,3%, e depois subiu todos os anos: 15,5% em 2023, 20,2% em 2024 e 20,6% em 2025. Entre os 27 países da UE, Portugal tem o 8.º valor mais alto neste grupo. A evolução contraria a da população total, que desceu no último ano. Os menores de 18 anos também estão mais expostos do que na média europeia, com 8,7% contra 6,3%.

Os outros tipos de família mostram contrastes grandes. A tabela seguinte põe lado a lado quatro situações e mostra que, entre elas, só os adultos sozinhos com filhos ficam acima da média europeia. Os agregados de dois adultos com dois filhos ficam na média europeia, e os adultos sozinhos com 65 anos ou mais ficam muito abaixo dela.

Tipo de agregadoPortugal, 2024Portugal, 2025UE, 2025
Adulto sozinho com filhos a cargo20,2%20,6%14,4%
Dois adultos com dois filhos5,7%4,4%4,4%
Adulto sozinho, menos de 65 anos18,9%19,1%21,9%
Adulto sozinho, 65 anos ou mais7,8%7,5%17,2%

As cidades pesam mais e a taxa inclui as contas da casa

O peso da casa também muda com o sítio onde se vive. Nas cidades portuguesas, a taxa foi de 7,7% em 2025, contra 9,5% na UE. Nas vilas e subúrbios ficou nos 6,2%, contra 7,0%. Nas zonas rurais baixou para 3,3%, contra 5,4%. Entre as pessoas com 65 anos ou mais, a taxa foi de 3,2%, muito abaixo dos 8,3% europeus. Nos extremos da UE estão Chipre, com 2,4%, e a Grécia, com 26,4%.

O indicador mede a percentagem de pessoas em agregados cujos custos com a casa passam os 40% do rendimento disponível. Esses custos incluem a renda ou os juros do crédito, a água, a eletricidade, o gás, o aquecimento, os seguros da habitação, os impostos, serviços obrigatórios como o saneamento e a recolha de lixo, e a manutenção e as reparações regulares. A longo prazo, a taxa de Portugal era de 9,1% em 2015 e de 4,1% em 2020, antes de uma quebra de série em 2021 assinalada pelo Eurostat. A medida não conta quem gasta um pouco menos de 40% do rendimento, mesmo que fique perto do limiar.

Fontes

Como verificámos. As taxas de sobrecarga das despesas com a habitação de Portugal, da União Europeia e dos outros países foram conferidas nas quatro bases do Eurostat (por tipo de agregado, situação perante a casa, idade e grau de urbanização). A definição do indicador foi conferida no glossário do Eurostat. O texto diz que as bases foram atualizadas e não apresenta os dados como inéditos.

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