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Crédito à habitação: juro abaixo da zona euro, TAEG acima

Os depósitos a prazo em Portugal também pagam menos do que a média e o crédito ao consumo custa mais. Os dados do BCE mostram diferenças que o juro sozinho não revela.

Por simula.pt3 min de leitura

Torre de vidro do Banco Central Europeu em Frankfurt, sob um céu nublado.
Foto: FrankBender / Pixabay

O juro dos novos empréstimos à habitação em Portugal ficou nos 3,09% em setembro, abaixo dos 3,62% da zona euro. Já a TAEG, que junta ao juro outros encargos do crédito, foi de 5,21%, contra 3,92% na zona euro. Os dados vêm das estatísticas de taxas de juro dos bancos, divulgadas pelo Banco Central Europeu a 2 de novembro. São menos 0,53 pontos percentuais no juro e mais 1,29 pontos na TAEG. Nos depósitos a prazo e no crédito ao consumo, Portugal também fica do lado menos favorável.

Na compra de casa, o juro é mais baixo e a TAEG é mais alta

O juro português também fica abaixo do de Itália, com 3,61%, e do da Alemanha, com 4,09%. Só Espanha, entre estes países, apresenta um valor inferior, com 2,99%. Num ano, o juro subiu em Portugal de 2,86% para 3,09%, e na zona euro de 3,31% para 3,62%. O indicador do juro combina os empréstimos com taxa variável ou fixada até um ano e os empréstimos com taxa fixada por mais tempo, ponderados pelos montantes concedidos nos últimos 24 meses. Mede apenas os contratos novos e renegociados de cada mês, por isso não diz quanto pagam as famílias com os outros créditos em curso.

A TAEG conta outra história, porque inclui os encargos ligados ao crédito, como despesas de administração, garantias e seguros de crédito. Em Portugal, a distância entre a TAEG e o juro chega a 2,12 pontos, enquanto em Espanha é de 0,05 pontos. As estatísticas do BCE não dizem quanto pesa cada encargo, e o regulamento do BCE avisa que a composição destes encargos pode variar de país para país. A diferença entre países pode, assim, não refletir só o preço. Por isso, quem compara propostas tem de olhar para as duas medidas. Alguns valores de setembro da zona euro e de outros países ainda são provisórios. A tabela põe-nas lado a lado nos três mercados, em setembro de 2025 e de 2026. Mostra que a TAEG portuguesa é a mais alta nos dois anos.

Crédito à habitaçãoPortugalZona euroEspanha
Juro, set. 20252,86%3,31%2,67%
Juro, set. 20263,09%3,62%2,99%
TAEG, set. 20254,74%3,61%2,72%
TAEG, set. 20265,21%3,92%3,04%

Os depósitos pagam menos e o crédito ao consumo custa mais

Nos novos depósitos a prazo até 1 ano, os bancos em Portugal pagaram às famílias 1,83% em setembro, contra 2,33% na zona euro. A diferença é de 0,50 pontos, maior do que os 0,39 pontos de setembro de 2025. Em Espanha o juro foi de 2,29%, na Alemanha de 2,39% e em Itália de 2,91%. A desvantagem não é nova: em setembro de 2023, Portugal pagava 2,31% e a zona euro 3,10%, uma distância de 0,79 pontos. O juro português subiu num ano, de 1,35% para 1,83%, mas continua atrás da média.

No crédito ao consumo, o juro dos novos contratos foi de 8,83% em Portugal, 1,01 pontos acima da zona euro. Na TAEG, a distância sobe para 2,22 pontos, com 10,68% contra 8,46%. Estes valores não incluem cartões de crédito nem descobertos. Em Espanha, o juro ficou nos 6,84% e a TAEG nos 7,54%. A tabela junta os depósitos e o crédito ao consumo. Mostra que, nestes dois produtos, Portugal ficou em setembro numa posição menos favorável do que a zona euro e Espanha.

Setembro de 2026PortugalZona euroEspanha
Depósitos até 1 ano, juro1,83%2,33%2,29%
Crédito ao consumo, juro8,83%7,82%6,84%
Crédito ao consumo, TAEG10,68%8,46%7,54%

Fontes

Como verificámos. Os juros e as TAEG dos novos empréstimos à habitação e ao consumo e os juros dos novos depósitos a prazo de Portugal, da zona euro, de Espanha, de Itália e da Alemanha foram conferidos na base de dados do Banco Central Europeu e na nota de 2 de novembro de 2026. A definição da TAEG, o aviso sobre a composição dos encargos e o cálculo do indicador foram conferidos no regulamento e na nota metodológica do BCE.

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