Salários

BCE: salários negociados a 2,8% no início de 2027

Sem os pagamentos únicos, a subida dos salários negociados passa de 2,6% em 2026 para 2,8% nos três primeiros trimestres de 2027. Portugal não entra nas contas.

Por simula.pt2 min de leitura

Trabalhador numa oficina a cortar uma peça de metal, com faíscas.
Foto: jannonivergall / Pixabay

O Banco Central Europeu (BCE) atualizou a 4 de novembro o seu indicador de salários negociados na zona euro. O indicador aponta para uma subida de 2,8% no 1.º semestre de 2027. Para o conjunto de 2026, o mesmo indicador aponta para 2,3%. O BCE junta os acordos já assinados até meados de outubro em nove países da zona euro. Portugal não está entre eles, mas o indicador mostra os aumentos já acordados nesses países.

O indicador sobe de 2,3% em 2026 para 2,8% no 1.º semestre de 2027

O indicador principal fica em 2,3% na média de 2026, está em 2,7% no 2.º semestre deste ano e sobe para 2,8% no 1.º semestre de 2027. O BCE explica que o valor baixo do 1.º semestre de 2026 ainda reflete pagamentos únicos feitos no 2.º semestre de 2024 e não repetidos no ano seguinte. Esse efeito desaparece no 2.º semestre de 2026. No 3.º trimestre de 2027, o valor desce para 2,4%. Face à divulgação de setembro, o BCE reviu ligeiramente em alta estes dois semestres, em cerca de 0,1 pontos percentuais em média.

Sem os pagamentos únicos, a subida é um pouco maior até setembro de 2027

O indicador principal reparte por 12 meses os pagamentos únicos, como prémios ou compensações pela inflação. Sem esses pagamentos, os aumentos negociados ficam em 2,6% em 2026 e sobem para 2,8% em média nos três primeiros trimestres de 2027. Este valor mede os aumentos negociados permanentes. Segundo o BCE, os acordos assinados há pouco tempo trazem poucos pagamentos únicos. Sem eles, o indicador fica em 2,9% no 1.º semestre de 2027 e desce para 2,5% no 3.º trimestre.

Quanto mais longe, menos trabalhadores cobertos

O indicador só conta as convenções coletivas já assinadas. Por isso, quanto mais à frente olha, menos trabalhadores cobre. A cobertura é de 46,2% dos trabalhadores desses nove países em 2026, desce para 31,8% no 1.º semestre de 2027 e para 23,3% no 3.º trimestre. Os países abrangidos são a Bélgica, a Alemanha, a Grécia, a Espanha, a França, a Itália, os Países Baixos, a Áustria e a Finlândia. O BCE avisa que os valores futuros não são uma previsão e podem ser revistos.

A próxima atualização sai a 18 de dezembro

Para uma visão mais completa dos salários, o BCE remete para as suas projeções de setembro. Estas apontam para um crescimento de 3,3% da remuneração por trabalhador na zona euro em 2026. A próxima divulgação do indicador sai a 18 de dezembro de 2026. Nessa altura, o horizonte deve passar a cobrir o ano de 2027 inteiro, à medida que forem assinados mais acordos.

Os números

IndicadorValorPeríodo
Indicador principal, 20262,3%2026
Indicador principal, 2.º sem. 20262,7%2.º sem. 2026
Indicador principal, 1.º sem. 20272,8%1.º sem. 2027
Indicador principal, 3.º trim. 20272,4%3.º trim. 2027
Sem pagamentos únicos, 20262,6%2026
Sem pagamentos únicos, 1.º a 3.º trim. 20272,8%1.º a 3.º trim. 2027
Cobertura, 202646,2%2026
Cobertura, 1.º sem. 202731,8%1.º sem. 2027
Cobertura, 3.º trim. 202723,3%3.º trim. 2027
Revisão face a setembro0,12.º sem. 2026 e 1.º sem. 2027
Remuneração por trabalhador, 2026 (projeção)3,3%2026
Sem pagamentos únicos, 1.º sem. 20272,9%1.º sem. 2027
Sem pagamentos únicos, 3.º trim. 20272,5%3.º trim. 2027

Fontes

Como verificámos. Os valores do indicador de salários negociados do BCE (com e sem pagamentos únicos), a cobertura, a lista dos nove países, a revisão face a setembro, a projeção de 3,3% e a data da próxima divulgação foram conferidos no comunicado do BCE de 4 de novembro de 2026 e nas séries EWT do ECB Data Portal.

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