Custos com Funcionários em Portugal - 2026
Os custos com funcionários representam o conjunto completo de encargos que uma empresa suporta ao contratar e manter trabalhadores por conta de outrem. Estas despesas vão muito além do salário base e incluem diversas componentes obrigatórias estabelecidas pela legislação laboral portuguesa.
Em Portugal, o custo total de um funcionário engloba o salário base distribuído por 14 meses (inclui subsídios de férias e de Natal), a Taxa Social Única (TSU), o subsídio de alimentação, os seguros de acidentes de trabalho e os fundos de compensação. O conjunto destes encargos representa tipicamente um acréscimo de 40-50% face ao valor do salário base mensal.
Valores de Referência para 2026
Salário Mínimo Nacional
O salário mínimo nacional em 2026 é de €920 brutos mensais, o que representa um aumento de €50 face a 2025. Com este valor, um trabalhador a receber o salário mínimo aufere aproximadamente €818,80 líquidos mensais (após desconto de 11% para a Segurança Social) e mantém isenção total de IRS.
Subsídio de Alimentação
Os limites de isenção de IRS e Segurança Social para o subsídio de alimentação em 2026 são:
- €10,46 por dia quando pago em cartão eletrónico (cartão refeição)
- €6,15 por dia quando pago em dinheiro
Valores superiores a estes limites ficam sujeitos a tributação em IRS e descontos para a Segurança Social, tanto na componente do trabalhador como da entidade empregadora.
Como Utilizar Este Simulador
Para obter uma estimativa precisa dos custos com funcionários, siga estes passos:
- Salário Base Mensal: Indique o valor bruto do salário mensal que pretende atribuir ao funcionário. O simulador distribui automaticamente este valor por 14 meses (12 meses + subsídio de férias + subsídio de Natal).
- Subsídio de Alimentação: Introduza o valor diário que irá atribuir. Recomenda-se utilizar os limites de isenção (€10,46 em cartão ou €6,15 em numerário) para otimizar a carga fiscal.
- Modalidade de Pagamento: Escolha se o subsídio será pago em cartão refeição ou em numerário. Cartão refeição oferece limite de isenção 70% superior.
- Dias Úteis Mensais: Indique a média de dias úteis por mês (habitualmente entre 20 e 22 dias, conforme o calendário anual).
- Redução da TSU: Selecione esta opção apenas se a contratação se enquadrar nas situações que conferem direito a redução de 50% da Taxa Social Única (primeiro emprego até 30 anos ou desempregados de longa duração).
Componentes do Custo Total
Taxa Social Única (TSU) - 23,75%
A TSU representa o principal encargo patronal e corresponde a 23,75% sobre a remuneração base (inclui subsídios de férias e Natal). Este valor destina-se ao financiamento da Segurança Social e cobre prestações sociais como pensões, subsídio de desemprego e baixas médicas.
O trabalhador contribui adicionalmente com 11% (retido pela entidade empregadora), o que perfaz uma taxa global de 34,75% sobre a remuneração.
Redução de TSU (50%)
Em situações específicas, a taxa patronal pode reduzir-se para 11,88% durante um período determinado:
- Primeiro emprego de jovens até 30 anos: Redução válida por 5 anos a contar da data de admissão
- Desempregados de longa duração: Pessoas com 45 ou mais anos, inscritas no IEFP há pelo menos 25 meses. Redução válida por 3 anos
- Reclusos em regime aberto: Redução durante toda a vigência do contrato de trabalho
A redução não é automática. A empresa deve solicitá-la à Segurança Social e comprovar a elegibilidade do trabalhador.
Subsídio de Alimentação
Calculado com base no número de dias úteis mensais e na modalidade de pagamento escolhida. Para efeitos de custo médio mensal, considera-se 11 meses de pagamento distribuídos pelos 12 meses do ano (não se paga durante o mês de férias).
A diferença entre os limites de isenção do cartão refeição (€10,46) e numerário (€6,15) representa uma poupança fiscal significativa: cerca de €95/mês em contribuições evitadas ao escolher cartão para um trabalhador com 22 dias úteis mensais.
Seguro de Acidentes de Trabalho - 1%
Seguro obrigatório que protege o trabalhador contra acidentes ocorridos durante o exercício das suas funções ou no trajeto casa-trabalho-casa. A taxa média considerada é de 1% sobre a remuneração base, embora possa variar conforme o setor de atividade e o grau de risco (entre 0,5% e 5%).
Fundos de Compensação - 1%
Incluem dois fundos obrigatórios:
- Fundo de Compensação do Trabalho (FCT): 0,925% sobre a remuneração. Destina-se a financiar compensações por cessação de contratos de trabalho
- Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho (FGCT): 0,075% sobre a remuneração. Garante o pagamento de compensações quando a empresa não tem capacidade financeira
Exemplos Práticos - 2026
Trabalhador ao Salário Mínimo (€920)
- Remuneração base mensal (14 meses): €1.073,33
- TSU (23,75%): €254,92
- Subsídio alimentação (€10,46 × 22 dias ÷ 12): €191,78
- Seguro (1%): €10,73
- Fundos (1%): €10,73
- Custo total mensal: €1.541,49
- Custo total anual: €18.497,88
O trabalhador recebe €818,80 líquidos (sem IRS por estar isento).
Trabalhador com €1.500 brutos
- Remuneração base mensal (14 meses): €1.750,00
- TSU (23,75%): €415,63
- Subsídio alimentação (€10,46 × 22 dias ÷ 12): €191,78
- Seguro (1%): €17,50
- Fundos (1%): €17,50
- Custo total mensal: €2.392,41
- Custo total anual: €28.708,92
O trabalhador recebe aproximadamente €1.260 líquidos (após IRS e SS).
Primeiro Emprego (€1.200 brutos, com redução TSU)
- Remuneração base mensal (14 meses): €1.400,00
- TSU reduzida (11,88%): €166,32 (poupança de €166,32/mês)
- Subsídio alimentação: €191,78
- Seguro (1%): €14,00
- Fundos (1%): €14,00
- Custo total mensal: €1.786,10
- Poupança anual com redução TSU: €1.995,84
Fonte Legal e Enquadramento
Os cálculos deste simulador baseiam-se na legislação portuguesa em vigor para 2026:
- Código do Trabalho: Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro, com alterações posteriores
- Regime Jurídico da Segurança Social: Define taxas contributivas e benefícios
- Orçamento do Estado 2026: Estabelece salário mínimo nacional em €920
- Limites de isenção subsídio alimentação: Atualizados anualmente com base no salário mínimo e valor de referência da função pública
Perguntas Frequentes
Qual é a diferença entre custo bruto e custo total para a empresa?
O salário bruto é o valor que consta no contrato e recibo de vencimento do trabalhador. O custo total para a empresa inclui este salário bruto mais todos os encargos patronais (TSU, seguros, fundos e subsídio de alimentação). Tipicamente, o custo total representa cerca de 140-150% do salário bruto base.
Subsídio de alimentação pago acima do limite de isenção: quais as consequências?
A parte que exceder os limites de isenção (€10,46 em cartão ou €6,15 em numerário) fica sujeita a:
- Descontos de 11% para a Segurança Social (trabalhador)
- Contribuição de 23,75% para a Segurança Social (empresa)
- Tributação em IRS conforme escalão do trabalhador
Exemplo: Subsídio de €12 em cartão. Valor isento: €10,46. Valor tributável: €1,54/dia → cerca de €34/mês sujeito a todos os descontos.
A redução da TSU aplica-se automaticamente?
Não. A empresa deve solicitar o benefício à Segurança Social Direta e preencher o formulário adequado com documentos comprovativos (declaração do IEFP para desempregados de longa duração, certidão de nascimento para primeiro emprego, etc.). Apenas após aprovação é que a redução se torna efetiva.
Que custos adicionais não estão incluídos neste simulador?
Este simulador contempla os encargos obrigatórios principais. Não inclui:
- Medicina do trabalho (€50-150/ano por trabalhador)
- Formação profissional obrigatória
- Equipamentos de proteção individual (EPI)
- Benefícios extra-legais (seguro de saúde, planos de pensões)
- Custos administrativos com processamento salarial
- Eventual pagamento de trabalho suplementar ou subsídio de turno
Como reduzir legalmente os encargos com pessoal?
Estratégias legais incluem:
- Aproveitar benefícios de redução de TSU quando elegível (primeiro emprego, desempregados de longa duração)
- Utilizar cartão refeição em vez de numerário (maior limite de isenção)
- Manter subsídio de alimentação dentro dos limites de isenção
- Considerar outros benefícios isentos (passes sociais, seguros de saúde até certos limites)
- Estruturar corretamente a remuneração entre componente fixa e variável
Recomenda-se sempre consulta com contabilista ou advogado especializado em direito laboral para otimização fiscal legal e conforme cada situação específica.
Quanto representa o salário líquido face ao custo total?
Para um salário de €1.500 brutos (€1.750 com distribuição de 14 meses):
- Custo total para a empresa: €2.392/mês
- Salário líquido do trabalhador: €1.260/mês (aproximadamente)
- Diferença: €1.132/mês (47% do custo total) destina-se a impostos e encargos sociais
Recursos Úteis
Para mais informações oficiais, consulte: